sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Manuel da Nobrega



Manuel da Nóbrega



18/10/1517 – 18/10/1570

Desencarnou exatamente com 53 anos




Jesuíta português, Manuel da Nóbrega  nasceu em Sanfins do Ouro em 18 de outubro de 1517; e faleceu em 18 de outubro de 1570, no Rio de Janeiro. Foi chefe da primeira missão jesuítica da América.

Era filho de Baltazar da Nóbrega, desembargador. Estudou na Universidade de Salamanca e na Universidade de Coimbra, tornando-se bacharel em direito canônico e filosofia. Não foi nomeado professor em virtude de sua gagueira.


 




Recebeu a ordenação pela Companhia de Jesus, em 1544. Viajou por Portugal, Galiza e Espanha no intuito de pregar o Evangelho. A convite do rei D. João III, chego à

Bahia na armada de Tomé de Souza em 29 de março de 1549.

No Brasil, desenvolveu trabalho missionário, fundou o colégio do planalto de Piratininga, base inicial para a fundação da cidade de São Paulo, ao lado de Anchieta pacificou os tamoios (leia: Confederação dos Tamoios). No ano da fundação da cidade do Rio de Janeiro, foi nomeado superior do colégio jesuíta da cidade. Escreveu relatos sobre o cotidiano da América portuguesa.

Na catequização buscou diminuir o hábito de nudez entre os índios, sendo considerado por ele um mau exemplo de um novo cristão. Entre seus relatos, destacam-se o “Diálogo sobre a Conversão do Gentio”, época em que vivia na aldeia São Paulo.

Manuel da Nóbrega fez várias solicitações ao governador-geral Duarte da Costa, uma delas era a proibição da antropofagia realizada pelos índios e a reunião das aldeias em áreas controladas pela Coroa portuguesa.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_da_Nóbrega
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u517.jhtm




EMMANUEL FOI MANUEL DA NÓBREGA



Uma das encarnações de Emmanuel, segundo informes do Plano Espiritual, se deu como o padre Manuel da Nóbrega (1517-1570), quando fundou a aldeia de Piratininga e o Colégio de São Paulo, dando origem à cidade de São Paulo.

Emmanuel revelou ter sido o padre Manoel da Nóbrega numa sessão realizada em 1949. Partes da mensagem psicografada diziam: "O trabalho de cristianização, irradiado sob novos aspectos do Brasil, não é novidade para nós... Nos azares e aventuras da terra dadivosa que parecia sem fim, aceitei a sotaina, de novo, e por Padre Nóbrega conheci de perto as angústias dos simples e as aflições dos degredados. Intentava o sacrifício pessoal para esquecer o fastígio mundano e o desencanto de mim mesmo, todavia, quis o senhor que, desde então, o serviço americano e, muito particularmente, o serviço ao Brasil não me saísse do coração. A tarefa evangelizadora continua. A permuta de nomes não importa. Desde que conheçamos a governança e a tutela de Cristo, o nome de quem ensina ou de quem faz não altera o programa”.

Reencarnado na vila portuguesa de Sanfins, em 1517, o padre ficou conhecido como "o primeiro apóstolo do Brasil", para onde veio em 1549. Ele desencarnou em 1570, 16 anos após a fundação de nossa cidade.

No Anuário Espírita de 1974, no qual consta uma reportagem acerca do título de cidadão honorário recebido pelo médium Chico Xavier (1910-2002) em São Paulo, em 19/05/ 1973. Na ocasião, Chico Xavier esclareceu sobre a fundação da cidade ocorrida em 29/08/1553: o eminente Padre Manoel da Nóbrega, fundador de São Paulo, considerada presentemente a cidade mais importante do Hemisfério Sul, foi visitado pelo Apóstolo São Paulo, que lhe apareceu nimbado de intensa luz. Redivivo, o amigo da gentilidade apontou-lhe as Campinas circunjacentes e lhe pediu fundasse, no Planalto Piratiningano, uma cidade, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se estabelecesse sobre as quatro colunas básicas do Cristianismo: amor e fé, trabalho e instrução. Então, sem dúvida alguma, Paulo de. Tarso (séc. I), o apóstolo dos gentios e uma das principais figuras da divulgação do Evangelho no mundo, em Espírito tem participado do desenvolvimento de São Paulo.

A propósito, o historiador paulista Tito Lívio Ferreira certa vez perguntou: "Por que teria Padre Manoel da Nóbrega escolhido esse dia para fundar a cidade de São Paulo dentro de uma Escola, fato ímpar na História do Mundo?" Porque 25 de Janeiro é o dia da Conversão do Apóstolo São Paulo. Nesse caso, vemos que foi decisão de Nóbrega homenagear Paulo de Tarso, deliberadamente.

E hoje, segundo Nena Galves (amiga de Chico Xavier), Emmanuel está encarnado. Ele encarnou alguns anos antes da desencarnação de Chico Xavier. E este acompanhou a reencarnação de Emmanuel assim como acompanhou a reencarnação de sua mãe, Maria João de Deus. E Sonia Barsante, residente em Uberaba, MG, e frequentadora do Grupo Espírita da Prece de Chico Xavier, também testemunha que em determinado dia no ano de 2000 Chico Xavier ausentou-se por alguns momentos em transe mediúnico. Ao retornar disse-lhe com alegria que fora em desdobramento espiritual até uma cidade do Estado de São Paulo para visitar um bebê que seria o espírito de Emmanuel já reencarnado. Terminou dizendo-lhe e aos demais que lá estavam presentes: “Vocês ainda vão reconhecê-lo!”.

OBSERVAÇÃO DE RUDYMARA: Para nós do Grupo Allan Kardec não importa postar um texto que atraia apenas uma curiosidade vazia. Mas, importa tirarmos lições como, neste caso, mostrarmos a veracidade da reencarnação e a confirmação da questão 95 do O Livro dos Espíritos onde os Espíritos disseram à Allan Kardec que o desencarnado pode ficar visível e até palpável aos encarnados na forma que lhe convém usando o envoltório semimaterial chamado perispírito. No caso de Emmanuel ele não se apresentou com a forma de sua última encarnação, mas sim da encarnação que lhe marcou mais que foi como o senador Públio Lentulus, que viveu na época de Jesus, confirmada no livro "Há 2000 mil anos". Além de confirmar a vinda de Espíritos de grande evolução na fase de transição planetária para ajudar na evolução do planeta.



Clique neste link e veja todas as encarnações de Emmanuel http://pt.wikipedia.org/wiki/Emmanuel_%28esp%C3%ADrito%29





Conheçam todas as encarnações do Padre Manuel da Nobrega:




www.cpibrasil.com/….php?option=com_content&view=...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Zenilda



ZENILDA*

João Henriques da Silva
(In Memoriam 20/09/1901 – 16/4/2003)

O tempo foi passando sem se lembrar de Zenilda. Também Zenilda não se apercebia da marcha do tempo, como se só existissem os seus múltiplos afazeres domésticos. Órfão de mãe, sem irmãos, confiante de que teria o pai para toda sua vida, despreocupava-se inteiramente com o que poderia vir pela frente. Não falava de casamento, coisa que lhe assustava, pois segundo sabia, a mãe havia morrido dois dias depois que ela nascera. Então, casamento não seria boa coisa.
No entanto, o destino preparava-lhe uma grande surpresa, certamente a maior que poderia acontecer a quem na condição em que ela vivia.
Já com vinte e oito anos, embora rígida e bonitona, não contava com o golpe que a deixaria mergulhada em tão dura e cruel realidade. O pai morrera subitamente de uma falha no coração. Viu-se só como se não houvesse mais ninguém no mundo. Parecia ter se precipitado num abismo insondável e mergulhada na escuridão de uma noite tenebrosa. Abria os olhos para ver e não enxergava mais do que as sombras da solidão e do abandono. Passava os dias e não conseguia atinar o rumo que haveria de tomar.
Por que estava só, perguntava a si mesma. Nunca havia se preocupado com o tempo e percebia agora que já era uma moça refeita sem uma noção exata das coisas do mundo e da vida. As facilidades que a cercaram até então a fazia esquecer as implicações futuras, do que o destino poderia reservar-lhe. Tinha que reagir e tomar conta de si e dos bens que lhe ficaram inesperadamente. Havia ter em sua coragem e decisões, solução para sua desdita. Duas coisas teria que fazer. Casar e administra o que lhe pertencia. Como era que nunca havia pensado em casamento seriamente. Certamente porque levava uma vida tão boa que dava para viver despreocupada e sem pensar no futuro.
Zenilda começou a administrar os seus bens que, relacionados para inventário, lhe deram a visão exata daquilo que seu pai acumulara.
Não era uma fortuna, mas, bem dirigidos, assegurariam o seu bem estar e uma independência razoável. E aconteceu que nessa perspectiva e na obrigatoriedade de zelar pelo patrimônio herdado, Zenilda colocou à parte, o problema de casamento. Poderia muito bem cometer um grave erro para sua vida social e econômica. Muitos eram os casos de casamentos por interesse. Um namorado ou um noivo raramente é sincero. Um mar de rosas, facilmente transforma-se numa tempestade.
Mas não desejaria continuar só a vida toda e detestava uma vida amorosa irregular. Tinha medo do tempo, esse devorador de vidas. Não poupava ninguém. Não tinha mais dúvida de que aos poucos ia envelhecendo e a velhice é como uma centrifuga, vai jogando a gente fora. E foi nessa fase de conjecturas que Zenilda começou a sentir qualquer coisa que bulia com ela, certos desejos que pareciam querer violenta-la. Certa atração mais forte pelos homens. Antes havia sentido a mesma coisa, mas, passageira. Agora não. Por mais que quisesse se tornar indiferente, não conseguia dominar-se. Parecia que todos os homens do mundo estavam à sua frente solicitando-a, devorando-a. E não adiantava procurar espanta-los da imaginação.
 Foi nesta fase que Almira, sua amiga, casou-se. Foi vê-la na igreja, toda sorridente, a boca de beijos, os olhos iluminados. Aquilo era felicidade. Então não teria mais jeito. Teria mesmo era que se casar, como sua amiga, para sentir as mesmas sensações. Mas, se errasse na escolha. E àquela felicidade fosse só naquele momento, uma doce ilusão. Lembrou-se então do velho ditado de que quem não arrisca, não petisca.
Estava resolvida. Fosse como fosse, iria correr o risco. E quem poderia saber se alguns momentos de amor não pagaria a aventura. E passou a dar passeios mais frequentes, examinando os possíveis candidatos.
Mas o diabo é que sempre encontrava em cada um, uma pequena coisa que a desagradava. Um nariz comprido ou largo, um sinal qualquer no rosto, uma maneira de rir sem graça, fala grossa ou fina, sempre uma coisa qualquer para desclassificação. E tinha mesmo que ter cuidado. Seria para toda a vida. Mas o diabo é que os de boa aparência, sempre eram vazios, bichotes de cara lisa, sem futuro. O jeito que havia era mesmo tentar um de nariz torto ou de boca rasgada, contanto que fosse honesto e de futuro. Em todo caso, escolheria um deles antes que a coisa se apertasse mais.
E deliberou aproximar-se de Abelirio que, pelo menos tinha um nome aprazível. Sim, Abelirio, solteirão, comerciante próspero, embora baixinho, nem gordo nem magro, calçando “38” e sempre metido numa gravata riscada e um paletó bem passado. A calça, nem se fala, de vinco aprumado e cinto de couro de jacaré, com fivela dourada.
Pelo menos, no físico, seria dominado. E a coisa deu certo. Seu Abelirio apaixonou-se. Não esperava, mas, na realidade, vez por outra pensava em Zenilda e não entendia por que razão ia se conservando solteira. Fizera muito bem ter esperado. Aliás, nem podia admirar-se, pois ele próprio conservava-se solteiro sem uma explicação razoável. E era aí que reforçava sua confiança no destino. Abelirio só temia uma coisa que era o porte da noiva. Com aquela estrutura maciça à sua frente, bem que poderia ser dirigido. No entanto, teria que fazer sua autoridade em qualquer emergência. Tinha que confiar e aguardar a realidade. Poderia ser uma criatura dócil e compreensiva. Esperava que fosse. Nada de precipitação no julgamento.
Por sua vez Zenilda andava possuída de certo receio. Homem pequeno sempre era metido a brabo. Uma solução seria deixa-lo livre, no desempenho de seu papel de marido e administrador. Não custava confiar e dar-lhe apoio. Poderiam entrar em bom entendimento. A casa ficaria com ela e os negócios com o marido. Mesmo com esses temores de mandonismo, casaram-se. Certamente que nos primeiros dias era somente troca de velhos amores, guardados. Enquanto andassem de braços dados o bom entendimento não falharia. Mas ambos esperavam, com receio um do outro. E o tempo foi-se indo na maior harmonia, sem a menor discordância. E foi então que os dois se confessaram. Riram a valer e terminaram num lugar aprazível como se estivessem comemorando a paz de espírito.
- Imaginava-te, Zenilda, uma mulher autoritária zombando do pouco que Deus me deu.
- E eu, Abelirio, preocupada com tua estatura. Geralmente os homens do teu porte são turrões. Gostam de mostrar que são valentes e rigorosos, pretendendo impor autoridade. Teria, aliás, que evitar discordâncias, embora convicta de que levarias a pior. Não aguentarias a força do meu braço...
- Olha, pede a Nossa Senhora Aparecida para nunca me veres zangado. Sou baixinho, mas tenho uma força de leão.
- Quem, tu, que engano. Vamos fazer uma aposta. Só serei tua, quando tiveres força para me levar para a cama. Mas vê bem para não te decepcionar.
- É agora mesmo. Mas vai logo mudar os lençóis da cama.
E foi sorrateiramente atrás de Zenilda. Quando ela baixou-se para pegar o lençol, ele aproveitou-se a empurrando e segurou-a em cima da cama à força.
- Era só isto que querias. Pois então vou te mostra à força que tenho, sem usar violência.
- Safadinho. Traiçoeiro. Mas está valendo... Ou Abelirio, diz-me uma coisa: nunca pensastes em te casar antes?
- Pensei, sim, mas não havia te encontrado. As outras moças não me despertavam nem amor nem desejos.
- E o que foi que te atraiu em mim?
- Precisava de uma mulher forte como tu para mostrar ao respeitável público que Abelirio é macho mesmo. E no teu caso também, porque ficaste solteira até agora?
- Ora, por nada, isto é, queria encontrar um homem de tua estatura para dominá-lo, trazê-lo a meus pés, respeitar-me e não ter o direito de olhar para outra mulher. Se me fizeres ciúme, te esmago como quem esmaga um piolho. Exijo fidelidade absoluta.
- Bobagem tua. Serei fiel porque sou honesto, mas se quisesse, jamais haverias de saber.
- Pois então experimentas o meu faro.
- Vamos apostar... Fazer uma experiência...
- Mato-te por qualquer suspeita.
- O que é isto. Não se pode nem tirar uma brincadeira. Assim também é demais.
- Pois é, nem por brincadeira, pois poderei tomar como coisa séria. Por ciúme se mata e se morre. E eu não quero morrer. Prefiro beber sangue!...
Abelirio quis se levantar e sair de perto. E já perguntava a si mesmo com quem havia se casado. Ia se afastando lentamente, quando Zenilda puxou-o para mais perto.
- Fica aí mesmo. Vamos logo ajustar as contas. Se te enganastes, a culpa foi só tua.
- Mas, Zenilda!
- Nada de Zenilda. Tens medo até de uma brincadeira inocente. Fica mais uma vez comigo, meu bem. Ou não tens mais com que?
Abelirio criou alma nova.  O susto que tivera o havia esfriado até a medula. Não adiantava tentar. Beijou a mulher e foi saindo mansamente, sem olhar nem para os lados. Ele e o mundo estavam gelados. Muitos graus abaixo de zero. A mulher compreendeu. Chamou-o de volta. Abelirio fez que não ouvia. E ela foi atrás dele.
- Vem cá, Abelirio. Deixa para depois, meu amorzinho, mas prepara-te se não queres me decepcionar. E descansa que não irei mais brincar contigo. Vou fazer um caldo quente para te dar. Depois de o tomares, veremos a reação...
- Que reação? Se continuares com essas brincadeiras a reação será cada vez mais negativa.
- Não, não e não. Daqui para frente não haverá mais brincadeiras. Juro-te que não. Passou essa fase. Era só para conhecer-te melhor, meu bem. Mas de qualquer maneira...
Dois meses depois Abelirio estava irreconhecível. A roupa toda perdida Havia se tornado um graveto. A roupa cabia três ou quatro dentro. Com mais algum tempo desapareceria.
E o que iria fazer Zenilda só com as calças e a ceroula de Abelirio. Chamou-o comovida, passou-lhe o braço pelo pescoço desnutrido, beijou-o nos ossos do rosto e concedeu-lhe umas férias de trinta dias.
- Obrigado, Zenilda. Mas quero saber se posso requerer prorrogação.
- Pode homem, pode. Não pensei que a situação estivesse braba.
- Que braba!!! Está é dependurada...

Em 17.9.1986

*O conto faz parte do livro “Vidas Nordestinas”, no prelo.