AS ABELHAS E OS ZANGÕES E A VESPA JUIZ
Lembranças do meu tempo no
ginásio, onde se aprendia latim e francês.
As abelhas
tinham feito seus favos no alto de um carvalho.
Os zangões
preguiçosos diziam que eram deles.
O litígio
foi levado ao foro, com a vespa de juiz;
Esta, uma
vez que conhecia muito belamente ambos os gêneros,
propôs para
as duas partes esta lei:
“Vosso corpo
não é diferente e a cor é igual,
de modo que,
com razão, o caso resultou em completa dúvida.
Mas, para
que meu escrúpulo não cometa um erro por imprudência,
tomai as
colmeias e vertei vossa produção nas ceras,
para que do
sabor do mel e da forma do favo,
apareça o
autor das coisas de que se trata agora”.
Os zangões
recusam, às abelhas a condição agrada.
Então aquela
apresentou esta sentença:
“Está claro
quem não pode fazer e quem fez.
Por isso
restituo às abelhas o seu fruto”.
Eu teria
passado esta fábula em silêncio,
se os
zangões não tivessem recusado o trato combinado.
Apes et fuci
vespa iudice.
Apes in alta
fecerant quercu favos:
Hos fuci
inertes esse dicebant suos.
Lis ad forum
deducta est, vespa iudice.
Quae genus
utrumque nosset cum pulcherrime,
Legem duabus
hanc proposuit partibus:
Non
inconveniens corpus et par est color,
In dubium
plane res ut merito venerit.
Sed ne
religio peccet inprudens mea,
Alvos
accipite et ceris opus infundite,
Ut ex sapore
mellis et forma favi,
De quis nunc
agitur, auctor horum appareat.
Fuci
recusant: apibus condicio placet.
Tunc illa
tali ius tulit sententiam:
Apertum est
quis non possit et quis fecerit.
Quapropter
apibus fructum restituo suum.
Hanc
praeterissem fabulam silentio,
Si pactam
fuci non recusassent fidem.