domingo, 20 de setembro de 2026

POSTAGEM DE RAU FERREIRA SOBRE O AGRONOMO JOÃO HENRIQUES DA SILVA

 





Nascido em 20 de setembro de 1901, na Fazenda Arara, localizada no município de Esperança, Estado da Paraíba, era filho de Manoel Virgolino da Silva e Maria Narcisa da Silva. Casou-se em 10 de novembro de 1928, com Nícia Maracajá Henriques. Ela nascida na Fazenda Nova Vista, no município de Gurjão, em 4 de agosto de 1913. Esse consórcio estendeu-se por quase 75 anos.

Dessa união descende cinco filhos: Robério Maracajá Henriques, Níobe Maracajá Henriques, Parsival Maracajá Henriques, Ceres Maracajá Henriques e Isis Maracajá Henriques.

João Henriques iniciou seus estudos preliminares em sua cidade natal, Esperança, na Paraíba. Em busca de aprofundamento, ingressou no Seminário Maior de João Pessoa e, nos anos de 1919 e 1920, estudou no prestigiado Liceu Paraibano.

A consolidação de sua formação técnica e científica ocorreu em Minas Gerais, onde obteve o diploma pela Escola Mineira de Agronomia e Veterinária de Belo Horizonte no ano de 1923.

Nesse mesmo período, cumpriu com suas obrigações militares, tendo sido sorteado para o Exército Brasileiro e incorporado em 11 de maio de 1923, em Belo Horizonte, figurando na caderneta militar sob a Classe 1901, Primeira Linha, número 1966, Série A, Quarta Divisão, Oitava Brigada de Infantaria, Décimo Segundo Regimento, Segundo Batalhão, Sétima Companhia.

Em 13 de outubro de 1925, foi nomeado Agente de Estatística do algodão no Estado da Paraíba, vinculado ao Ministério da Agricultura. Seu primeiro desafio prático como agrônomo consistiu na preparação de um campo experimental destinado ao cultivo de algodão e feijão no município de Boqueirão, situado na várzea que, hoje, abriga o açude Epitácio Pessoa.

Em 24 de maio de 1926, recebeu indicação formal para administrar a Fazenda de Sementes de Pendência, na Paraíba, instituição que posteriormente daria origem à Emepa.

Atuou como colaborador do Instituto Biológico de Defesa Agrícola e Animal da Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio do Estado de São Paulo, a partir de 27 de agosto de 1928. E no ano seguinte, em 2 de fevereiro de 1929, assumiu a representação da Sociedade de Agricultura da Paraíba.

Em 16 de julho de 1931, iniciou os estudos para a construção do açude público de Soledade, na Paraíba, atuando em conjunto com a Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas.

Em 1º de março de 1933, ascendeu na carreira federal ao ser nomeado Inspetor de Segunda Classe da Primeira Seção Técnica da Diretoria de Plantas Têxteis do Ministério da Agricultura. Meses depois, em 4 de julho de 1933, assumiu a direção do campo de sementes de plantas têxteis do mesmo Ministério, localizado em Pendência, na Paraíba.

Em 22 de outubro de 1935, foi designado para o cargo de Subassistente da Diretoria do Serviço de Plantas Têxteis, em Alagoinha, na Paraíba. Pouco tempo depois, em 12 de dezembro de 1935, ficou incumbido de chefiar a estação experimental daquela mesma cidade, na seleção de variedades de algodão.

Em 15 de julho de 1936, assumiu a direção do laboratório de sementes do Ministério da Agricultura, sediado em João Pessoa. Nesse tempo, destacou-se pela produção intelectual, contribuindo reiteradamente com artigos para o Boletim da Diretoria de Fomento da Produção Vegetal e de Pesquisas Agronômicas, periódico impresso pela Secretaria de Agricultura, Comércio, Viação e Obras Públicas.

O ano de 1937 marcou uma expansão interstadual de sua atuação. O governo de Pernambuco, por intermédio do Ministério da Agricultura, solicitou oficialmente sua colaboração técnica. Em 31 de maio daquele ano, foi formalmente designado para colaborar com a administração pernambucana na execução de serviços relativos ao fomento da produção vegetal, com ênfase no setor de plantas têxteis.

Desenvolveu ainda pesquisas fundamentais sobre a flora nordestina, culminando na publicação, em 1938, de uma monografia ilustrada sobre o Caroá, editada pelo Departamento Nacional de Produção Vegetal do Ministério da Agricultura. Este trabalho de trinta e cinco páginas alcançou tamanha relevância científica que, em 4 de maio de 1940, a Universidade de Harvard, por meio do Gray Herbarium, localizado em Cambridge, Massachusetts, solicitou formalmente uma cópia do estudo ao Ministério da Agricultura brasileiro.

O reconhecimento consolidou-se em 12 de setembro de 1938, quando foi nomeado de forma efetiva pelo então Interventor Federal do Estado da Paraíba, Argemiro de Figueiredo, para exercer o cargo de Assistente-Chefe da Segunda Secção Técnica da Diretoria do Fomento da Produção, bem como o cargo de Assistente Técnico da mesma diretoria, funções que exerceu por nove anos consecutivos.

Além disso, em 4 de abril de 1939, assumiu a função docente, sendo designado professor da cadeira de Defesa Sanitária do Algodão e Estatística no curso de Classificação de Algodão no estado da Paraíba.

Em 20 de maio de 1940, sua trajetória de dedicação ao serviço público foi laureada com a Medalha de Prata comemorativa do Cinquentenário da República, conferida pelo Presidente da República, acompanhada de diploma alusivo rubricado pelo Chanceler e Presidente dos Conselhos das Ordens Nacionais do Cruzeiro do Sul, do Mérito Naval e do Mérito Militar.

Em 4 de setembro de 1940, foi designado Diretor de Fomento da Produção com a missão de inspecionar os serviços de cooperativismo e classificação do algodão no interior da Paraíba.

Em 11 de dezembro de 1941, quando, na qualidade de Diretor da Diretoria de Fomento da Produção, passou a responder pelo expediente integral da Secretaria de Agricultura, Viação e Obras Públicas do Estado da Paraíba, sob a interventoria de Ruy Carneiro, função para a qual foi novamente designado em 23 de fevereiro de 1942, durante a gestão interina de Samuel Duarte.

Durante a Segunda Guerra Mundial, sua capacidade de gestão estratégica foi requisitada pelo governo federal. Em 15 de maio de 1945, assumiu a relevante posição de Assistente da Comissão de Controle dos Acordos de Washington para o Estado da Paraíba. Nessa função crítica, detinha poderes para exercer o controle do comércio e da indústria de artefatos de borracha e executar as rigorosas instruções ministradas pela comissão central no Rio de Janeiro.

No​ cenário pós-guerra, continuou a liderar projetos de modernização agrícola. Em 28 de dezembro de 1945, foi designado para reorganizar o Horto Simões Lopes e atuar como promotor do estudo das variedades de coqueiro cultivadas na Paraíba.

Em 8 de abril de 1947, durante o governo de Osvaldo Trigueiro, foi nomeado Diretor do Departamento de Classificação de Produtos Agropecuários da Paraíba. No ano seguinte, em 28 de julho de 1948, integrou a comissão técnica encarregada da organização e execução do plano de fomento da produção algodoeira do estado.

Em 17 de setembro de 1949, passou a integrar a Comissão do Vale do São Francisco, representando a Paraíba e liderando o setor de terras e colonização, mandato que foi posteriormente prorrogado.

Em 15 de abril de 1950, assumiu a chefia da Granja São Rafael, em João Pessoa, fixando residência nessa fazenda experimental. Poucos meses depois, atuou como membro da banca examinadora do concurso de títulos para o provimento de cargos da classe inicial da carreira de Agrônomo do quadro único do estado da Paraíba.

Nessa mesma década (1950) foi convocado ao Rio de Janeiro para chefiar um departamento no Ministério da Agricultura, juntamente com o Dr. Oscar Guedes.

De volta à Paraíba, foi designado chefe da Segunda Zona Agrícola, com sede em Campina Grande, em 16 de março de 1951. E em 17 de setembro de 1952, durante a gestão do governador José Américo de Almeida, foi nomeado Diretor do Departamento de Produção do Estado.

No ano seguinte, em 6 de fevereiro de 1953, foi escolhido como representante do Governo do Estado para constituir a Comissão Permanente de Defesa do Algodão.

A carreira formal como servidor do Estado da Paraíba encerrou-se em 12 de fevereiro de 1954, quando obteve sua aposentadoria ocupando o cargo de Agrônomo, classe "Q", do quadro permanente, lotado no Departamento da Produção.

No entanto, em 1958, a convite de um antigo colega, transferiu-se para a iniciativa privada no Estado de Alagoas, passando a trabalhar na Companhia de Progresso Rural, localizada na comunidade de Pindorama, município de Coruripe.

Essa mudança geográfica marcou o início de uma nova e frutífera fase de sua carreira, focada no desenvolvimento do Baixo São Francisco.

Em 8 de agosto de 1959, retornou ao serviço público federal ao ser designado encarregado da Patrulha Motomecanizada na Residência Agrícola de Penedo, em Alagoas, sob a égide da Comissão do Vale do São Francisco, passando a responder pelo expediente completo dessa residência agrícola poucos dias depois.

As​ décadas de 1960 e 1970 consolidaram João Henriques da Silva como o grande pioneiro e estruturador da orizicultura na região do Baixo São Francisco. Operando a partir da cidade de Penedo, em Alagoas, manteve vínculos contínuos com a Superintendência do Vale do São Francisco (SUVALE), exercendo diversas funções de coordenação e direção em residências agrícolas locais e fazendas escolas, como a de Porto Real do Colégio.

Em 21 de março de 1969, assumiu a coordenação do serviço de experimentação na área da Sexta Agência Regional da SUVALE, com foco direto no fitomelhoramento, na refertilização dos solos e no melhoramento genético da rizicultura regional.

A sua grande contribuição técnica na agronomia ocorreu em 13 de janeiro de 1970, quando logrou êxito na criação da variedade de arroz denominada "Suvale I 70". Essa inovação científica obteve notório destaque em todo o território nacional, passando a ser cultivada em noventa e cinco por cento das áreas de várzea dos estados de Sergipe e Alagoas, revolucionando a economia agrícola local.

O profundo conhecimento acumulado sobre o tema resultou na publicação, em 1º de março de 1973, de um extenso boletim de cento e dezessete páginas intitulado "O Arroz no Baixo São Francisco", editado pelo Departamento de Valorização Rural da SUVALE. A expertise do agrônomo tornou-se referência, motivando constantes convites para cursos, encontros de pesquisa e extensão, incluindo atuações na EMBRAPA e na SUDENE.

A par de suas atividades de campo e pesquisa, dedicou-se ao magistério superior. Entre os anos de 1977 e 1982, atuou como professor na Faculdade de Formação de Professores de Primeiro Grau de Penedo, instituição vinculada à Fundação Educacional do Baixo São Francisco.

Com a transição institucional da SUVALE para a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF), assumiu novas responsabilidades diretivas. Em 7 de novembro de 1977, foi designado presidente da comissão encarregada da avaliação das áreas das várzeas de Boacica, Marituba, Brejo Grande, Cotinguiba e Pindoba.

Nos anos iniciais da década de 1980, coordenou atividades relativas à produção e beneficiamento de sementes e mudas na Quarta Diretoria Regional da CODEVASF, integrando comissões estaduais em Alagoas e Sergipe.

Em dezembro de 1982, atuou como coordenador do grupo para a elaboração do plano agrícola para a área de irrigação do projeto Cotinguiba/Pindoba, em Sergipe, em parceria com a FAO. O encerramento definitivo de seu vínculo empregatício com a CODEVASF ocorreu apenas em 24 de outubro de 1983, quando contava com oitenta e dois anos de idade.

Três anos após o término formal de suas funções, em 26 de setembro de 1986, recebeu em Brasília a Medalha do Mérito da Irrigação e Drenagem “José Augusto Trindade”, outorgada pela Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID), chancelando sua imensa contribuição para a infraestrutura agrícola do país.

Além de sua vasta carreira no setor agronômico, João Henriques construiu uma sólida presença na vida cultural, associativa e literária das regiões em que residiu.

Desde a juventude, engajou-se no associativismo civil. Em 24 de abril de 1927, tornou-se sócio benemérito do Vera Cruz Foot-Ball Club, em Esperança. Posteriormente, consolidou sua liderança social integrando o Rotary Clube de Penedo em 1966 e, mais tarde, associando-se ao Lions Clube da mesma cidade no final de 1970.

Seu compromisso cívico também se refletia na frequente atuação perante a Justiça Eleitoral, tendo sido reiteradamente nomeado para compor juntas de apuração eleitoral nas décadas de 1970, na jurisdição de Penedo.

No​ campo da preservação da memória e do estudo regional, manteve estreitos vínculos com instituições históricas. Foi aceito como sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano em 1941, atuou como sócio correspondente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano e, de forma póstuma, em 8 de dezembro de 2005, foi homenageado como Patrono da Cadeira número 87 do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri Paraibano. Em 2004, seu nome figurou em pleito para designar um novo edifício da CODEVASF em Penedo, demonstrando o respeito de seus pares institucionais.

Deixou um extenso acervo de literatura de ficção, incluindo cento e setenta e seis contos e dois romances inéditos, intitulados “Gracinha a menina dos olhos verdes” e “Paraíba nossa terra nossa gente”. A difusão do conhecimento, contudo, não se limitou à literatura; foi um pioneiro na extensão e comunicação rural, apresentando programas de perguntas e respostas sobre agricultura em diversas emissoras de rádio de Campina Grande e de Penedo, bem como redigindo assiduamente artigos para o jornal oficial "A União", do Estado da Paraíba.

Essa integração multifacetada entre a técnica agronômica, a gestão pública e a difusão cultural sedimenta o perfil de um intelectual cujo legado permanece indissociável do desenvolvimento agrário brasileiro no século vinte.

João Henriques da Silva faleceu em 16 de abril de 2003, na cidade de Maceió, Alagoas, aos cento e um anos, sete meses e quatro dias de idade, mantendo-se lúcido até os seus últimos momentos. Sua esposa faleceu no mesmo ano, poucos meses depois, em 11 de novembro de 2003, também na capital alagoana.

 

Rau Ferreira

 

 

Fonte: http://wwwcontandohistorias-historiador.blogspot.com.br/2015/04/aniversario-de-morte-de-joao-henriques.html, em 10/04/2015. Também visitado em 29/11/2024.

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ANIVERSÁRIO DE ROBÉRIO - 17 DE SETEMBRO

 

Robério ou bel como era chamado pelos irmãos mais chegados, acho que nunca o encarei de frente para chama-lo de Bel. Talvez por eu ser um “estranho no ninho”. Família é coisa muito difícil de se explicar onde começa e onde termina...tivemos poucas relações durante a vida. Sempre ariscos, não sei porquê? Hoje, através da ciência espirita, é que sabemos, por cima, porque nos juntaram num mesmo lar. Coisas da vida planetária.

De vez enquanto e principalmente quando ouço boleros antigos, surgem imagens perfeitas dele cantado essas músicas que nunca saíram da minha memória de menino lá pelos lados de João Pessoa; ele, Guy, Nadir, todos com vozes maravilhosas que até hoje me emociono quando ouço por exemplos as músicas: Marina, morena você se pintou... e por aí vai. O tempo passa e a saudade aumenta.

Passei batido pela a data do seu aniversário que foi no dia 17 de setembro, contudo, portanto e por isso estou tomando umas e ouvindo na voz dos antigos cantores suas canções maias queridas.

Até breve,

Grijalva

Marina

Dorival Caymmi

Marina morena, Marina

Você se pintou

Marina, você faça tudo

Mas faça um favor

Não pinte esse rosto que eu gosto

Que eu gosto e que é só meu

Marina, você já é bonita

Com o que Deus lhe deu

Me aborreci, me zanguei

Já não posso falar

E quando eu me zango

Marina, não sei perdoar

Eu já desculpei muita coisa

Você não arranjava outro igual

Desculpe, Marina morena

Mas eu estou de mal

Eu já desculpei muita coisa

Você não arranjava outro igual

Desculpe, Marina morena

Mas eu estou de mal

De mal de você

De mal de você

 

 

ANIVERSÁRIO DO MEU PAI

 

A Meu Pai Morto

Augusto dos Anjos

 

Madrugada de treze de janeiro.

Rezo, sonhando, o ofício da agonia.

Meu pai nessa hora junto a mim morria

Sem um gemido, assim como um cordeiro!

 

E eu nem lhe ouvi o alento derradeiro!

Quando acordei, cuidei que ele dormia,

E disse à minha Mãe que me dizia:

"Acorda-o!" deixa-o, Mãe, dormir primeiro!

 

E sai para ver a Natureza!

Em tudo o mesmo abismo de beleza,

Nem uma névoa no estrelado céu.

 

Mas pareceu-me, entre as estrelas flóreas,

Como Elias, num carro azul de glórias,

Ver a alma de meu Pai subindo ao Céu!

 

Ofereço essa poesia do augusto ao meu pai que pegou carona no carro azul de gloria do mestre Elias. Apenas as datas diferem.  Meu pai desencarnou no dia 16 de abril de 2003, tendo nascido no dia 20 de setembro de 1901.

Minhas singelas homenagens ao seu aniversário.

Grijalva

 

 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

FRUTAS ESQUECIDAS DO PASSADO - JENIPAPEIRO

 

Jenipapeiro

Jenipapo é o fruto do jenipapeiro (Genipa americana), uma árvore que chega a vinte metros de altura, é da família Rubiaceae, a mesma do café. É encontrada em todo o tópico. No Brasil, encontramos pés de jenipapo nativos na Amazônia e na mata atlântica, principalmente em matas mais úmidas, ou próximo a rios; também temos o jenipapo-bravo geralmente das espécies Tocoyena formosa, outra variedade é o Genipa americana jenipapo, cabaçu, janapabeiro, janipaba, jenipá, jenipapo-bravo, jenipapo-do-mato, jenipaba, jenipaca, jenipapinho, jenipapo, jenipava

Madeira para construção civil; naval, marcenaria, tornearia, carrocerias, móveis de luxo, cabos de ferramentas, coronhas de armas, batentes de portas e janelas, moldes para aeromodelismo, fôrmas de sapato, espadas para esgrima potencial para arborização de rua em função do seu porte. Tem um grande potencial apícola, pois suas flores são melíferas, seus frutos comestíveis que servem para fazer sucos, doces, licores e corantes azuis; suas folhas, frutos, cascas e raízes apresentam propriedades medicinais sendo utilizadas por indígenas e populações tradicionais como tônicos, purgantes, cicatrizantes e vomitório para tratar várias enfermidades como úlceras, diarreias, sífilis, etc. Os indígenas, a partir do fruto maduro, fazem tinta/corante de coloração escura e utilizam para pintura na pele em datas comemorativas. A planta inclusive aguenta encharcamento. O jenipapo é usado por muitas etnias da América do Sul como pintura corporal e some depois de aproximadamente duas semanas. No idioma tupi-guarani, o termo significa literalmente a "fruta que serve para pintar". A bela coloração azul-escura formada deve-se ao contacto da genipina contida nos frutos verdes com as proteínas da pele, sob ação do oxigênio atmosférico. A tinta de jenipapeiro era também usada pelos índios para defesa contra os maus espíritos. A pintura com jenipapo sempre estava presente nos ritos de nascimento, de passagens e funerários.

O fruto é uma baga subglobosa geralmente de cor amarelo-pardacenta. Sua polpa tem cheiro forte e é comestível, mas é mais apreciada na forma de compotas, doces, xaropes, bebida refrigerante, bebida vinosa e licor.

O licor de jenipapo é uma bebida apreciada em todo o Brasil, principalmente os licores feitos por minha irmã Isis Henriques de Athayde em Maceió feito com álcool de cereais, com a polpa natural e um pouco de açúcar. “Licor e Cia”.

Em 14 de setembro de 2026 - Grijalva

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A RAPOSA E AS UVAS

 

A fábula "A Raposa e as Uvas" é uma criação atribuída ao escritor grego Esopo e posteriormente reescrita por outros contadores de histórias, como Jean de La Fontaine,

Texto Original em Latim (Fedro, Livro IV, Fábula 3)

Fame coacta vulpes alta in vinea
uvam adpetebat, summis saliens viribus.
Quam tangere ut non potuit, discedens ait:
Nondum matura es; nolo acerbam sumere.
Qui, facere quae non possunt, verbis elevant,
adscribere hoc debebunt exemplum sibi.

A Raposa e as Uvas

Certa ocasião, uma raposa se encontravam morta de fome, pois estava sem comer há dias. Andava por um pomar quando avistou um belo cacho de uvas.

As uvas negras estavam muito viçosas, maduras e prontas para serem apreciadas. Percebendo que estava sozinha e que o caminho estava livre, aprontou-se para colher aqueles frutos.

Não poupou esforços ao tentar pegá-las, empregou todos os seus conhecimentos e habilidades. Ainda que estivessem fora de seu alcance, não cessou as tentativas.

Depois de tantas investidas fracassadas, além de faminta, agora ela estava exausta e desapontada. Sendo assim, suspirando, deu de ombros, finalmente dando-se por vencida.

Deu meia volta e foi embora. Desolada por conta das tentativas mal sucedidas, a raposa tentou consolar a si mesma dizendo “Na verdade, olhando com mais atenção, consigo perceber que todas as uvas estão estragadas, e não maduras, como elas aparentavam quando as vi pela primeira vez.”

Moral da história

Muitas pessoas tentam fingir que despreza aquilo que não consegue obter. A história serve para nos lembrar que devemos acatar e reconhecer quando falhamos, sem menosprezar aquilo que antes desejávamos, pra a gente não cair no ridículo como a história da raposa.

Fábulas são pequenas histórias que transmitem ensinamentos sobre a vida, pois abordam lições morais. A maior parte das fábulas expõe situações corriqueiras, típicas do dia-a-dia, mas são vivenciadas por animais.

           

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

ARAÇAZEIRO

FRUTAS ESQUECIDAS DOS VELHOS TEMPOS

 

O velho araçazeiro, (os tupis chamavam de aracá); muito abundante na nossa granja em Lagoa Seca, Paraíba; é uma planta da família Myrtaceae, mesma família da jabuticaba e da goiaba. O Araçá é um nome popular utilizado em referência a algumas espécies, fruta das mais queridas da minha irmã Ceres, hoje talvez, apreciando no outro lado da vida, ainda hoje conservo vários pés. É um fruto nativo do Brasil encontrado em quase todo Nordeste. Existe uma grande variedade, porém a que mais abunda na nossa região é a variedade conhecida como araçá-amarelo, Psidium cattleyanum, possuem casca amarela brilhante e polpa suculenta, azedinha e doce. É um arbusto ou pequena árvore de 2 a 4 metros de altura. Folhas Verdes e pequenas seus fruto tem um formato redondo, com casca lisa que passa do verde ao amarelo na maturação com polpa com pequenas sementes duras. Possui mais vitamina C do que muitos outros cítricos; aumenta a ação antioxidante, ajuda na digestão, aumenta nossa imunidade, suas folhas amenizam na forma de chá as dores de barriga e diarreia, anti-hemorrágica. Faz uma ótima geleia, sucos, sorvetes, licores, doces, araçazadas e ainda serve como um bom tira-gosto. É uma maravilha quando consumida logo cedo da manhã, direto do pé quando bem maduro e amarelinho, principalmente quando não estão atacados pela mosca-das-frutas ou como é mais conhecido o bicho da fruta, que inevitavelmente vez por outra a Drosophila melanogaster que possui 381 proteínas no esperma da mosca, desce de garganta abaixo indo sem a gente querer diminuir nossa fertilidade masculina.  Por isso, porquanto e por tudo cuidado com a amarelinha.

Grijalva

28/08/2026

 

 

 

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sábado, 22 de agosto de 2026

Dia do folclore

 

Comemorando o Dia do Folclore no Brasil, catuquei um pedaço de tempo no meu notebook encontrei essas ledas mais comuns. Duas personagens que mais gosto são o Saci e Cumadre Fulôzinha.

O Dia do Folclore Brasileiro é celebrado em 22 de agosto. A data homenageia as tradições, mitos, lendas, festas populares, danças e saberes que formam a identidade cultural do país e passam de pais para filhos. Esse dia foi escolhido porque nessa mesma data, no ano de 1846, o escritor inglês William John Thoms criou a palavra "folklore".

Ele juntou folk (povo) com lore (saber, ciência) para definir o conhecimento tradicional de um povo.

No Brasil, a data foi oficializada em 17 de agosto de 1965 pelo Decreto nº 56.747 por meio do Decreto nº 56.747, assinado pelo então presidente militar Humberto de Alencar Castello Branco e por seu Ministro da Educação, Flávio Suplicy de Lacerda. No texto do decreto, há referência direta a William John Thoms e ao seu pioneirismo na pesquisa das culturas populares.

Restrito a três artigos, o conteúdo do decreto determina o ensino do folclore como sendo de importância fundamental para a cultura do país, como pode ser visto a seguir:

Art. 1º Será celebrado anualmente, a 22 de agosto, em todo o território nacional, o Dia do Folclore.

Art. 2º A Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro do Ministério da Educação e Cultura e a Comissão Nacional do Folclore do Instituto Brasileiro da Educação, Ciência e Cultura e respectivas entidades estaduais deverão comemorar o Dia do Folclore e associarem-se a promoções de iniciativa oficial ou privada, estimulando ainda, nos estabelecimentos de curso primário, médio e superior, as celebrações que realcem a importância do folclore na formação cultural do país.

Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 17 de agosto de 1965; 144º da Independência e 77º da República.

O escritor Monteiro Lobato foi um dos responsáveis por popularizar personagens do nosso folclore, autor de vários livros sobre o assunto.

Lendas e Mitos:

Saci-Pererê, menino negro de uma perna só, gorro vermelho e cachimbo.

Curupira, protetor das matas com os pés virados para trás. entidade da floresta que é pequeno, possui cabelos vermelhos e os pés ao contrário, era uma espécie de protetor da floresta que aterrorizava aqueles que a destruíam.

Iara (Mãe d'Água), sereia dos rios que encanta os pescadores. de origem tupi. Iara significa “Senhora das Águas”. Esta personagem é representada por uma sereia belíssima que atrai os pescadores com suas doces canções a fim de matá-los.

Boitatá, cobra de fogo que protege as florestas e os animais.  cobra de fogo que, na lenda, atacava aqueles que incendiavam a floresta.

Mula sem Cabeça, mulher que vira uma mula com chamas no lugar da cabeça. na tradição popular, mulheres que se deitavam com sacerdotes religiosos poderiam ser amaldiçoadas e transformar-se em uma mula que galopa soltando fogo pela cabeça e assombrando aqueles que encontra.

Boto-Cor-de-Rosa, animal que se transforma em homem elegante à noite para seduzir mulheres. ser muito conhecido do folclore amazônico que, na lenda, transformava-se em um homem sedutor que frequentava festas, seduzindo e engravidando mulheres solteiras.

Cuca, bruxa em forma de jacaré que pega crianças desobedientes. Ela é uma personagem muito temida pelas crianças, representada por velha feia e malvada com cara de jacaré que raramente dorme.

Lobisomem, homem que se transforma em lobo nas noites de lua cheia.

Negrinho do Pastoreio, menino escravizado cujas lendas falam de milagres e proteção.

Vitória-Régia, uma índia que se apaixonou por Jaci, o deus da Lua, esperava por ele todas as noites. Vendo a luz de Jaci refletida no rio, a índia Naiá inclina-se para beijá-lo e morre afogada, sendo transformada em uma planta conhecida como “estrela das águas”.

Caipora, criatura, homem ou mulher, que é a protetora dos animais e das florestas. Além de assustar os caçadores com uivos altos, ela os distrai com pistas falsas, fazendo eles se perderem na floresta.

Cobra Grande, também conhecida como Cobra Honorato ou Norato, seu pai é uma cobra gigante e sua mãe é uma índia, que abandona seus dois filhos no rio após dar à luz e verificar que ambos têm aspecto de cobra.

Cumadre Fulôzinha, Espírito travesso das matas do Nordeste, é uma famosa entidade de proteção da natureza, especialmente na Zona da Mata de Pernambuco e na Paraíba. Ela é retratada como uma menina ou indiazinha de longos cabelos negros que prega peças em quem desrespeita a mata.

Gralha-Azul, teve origem no estado do Paraná, na região sul do Brasil. Conta-se que uma gralha recebeu da Mãe Natureza um pinhão para matar sua fome. A ave, que ficou muito feliz e satisfeita com o alimento, comeu metade do pinhão e enterrou a outra para se alimentar depois, mas se esqueceu onde havia escondido o restante do fruto.

Acutipupu, criatura que hora é homem, hora é mulher. Com corpo masculino, fecunda mulheres que tem meninos valentes, enquanto com o corpo feminino, dá à luz, a belas meninas.

Ahó-Ahó, monstro parecido com uma ovelha que devora as pessoas, especialmente os indígenas que fugiam das missões jesuítas para regressar as suas aldeias.

Alamoa, mulher atraente que seduz marinheiros e pescadores, tal como as sereias, e se transforma numa figura monstruosa, desaparecendo com as suas vítimas.

Barba Ruiva, homem encantado que, ao longo do dia, é capaz de se transformar em menino, moço e velho. Abandonado por sua mãe, ele foi acolhido por Iara.

Bicho-Papão, monstro que fica embaixo da cama, atrás da porta ou dentro do armário e assusta as crianças malcriadas e mal-educadas durante a noite e que, ainda, pode comer as mais teimosas.

Safado, história contada por dona Ciça, - moradora no sitio de meu tio José Narciso em Lagoa Seca paraíba - mãe de Zefinha, aos netos. Contadas por um deles numa limpa de um olho d’água chamada Ingazeira. Cabra feio e desengonçado, que rastejava que nem cachorro doente depois do pôr do sol; corria atrás de menino teimoso e preguiçoso e quando o alcançava mordia nas pernas. A finalidade dessa história era para forçar a meninada voltar para casa cedo e não sair mais de casa durante a noite.

Bradador, Alma penada que sai vagando pelo mato às sextas-feiras depois da meia-noite. O motivo de ter sido devolvido à terra depois de enterrado é o morto não ter pagado todos os seus pecados.

Corpo-seco, espírito de homem que recebeu a maldição de ficar vagando pela noite, porque em vida cometeu pecado imperdoável, e seu corpo não é aceito nem por Deus, nem pelo diabo, e a própria terra o rejeita.

Guaraná, os olhos de um indiozinho muito estimado na tribo foram plantados a fim de que nascesse uma plantinha que desse energia às pessoas, dando origem ao guaraná. O menino tinha sido morto pelo invejoso deus da escuridão.

Jupurari, Deus da escuridão, visitava os indígenas durante o sono para provocar pesadelos. Em outras versões da lenda, Jurupari é um legislador de povos indígenas, que ao nascer revelou que traria leis aos homens.

Mãe de ouro, uma bonita mulher que voa, assume a forma de bola de fogo, e consegue encontrar ouro escondido para o proteger da extração, motivo pelo qual é conhecida como "protetora dos tesouros".

Mandioca, Mani, uma indiazinha muito querida, morreu e foi enterrada por sua mãe na sua oca, que com seu choro parecia regar a terra. Nesse lugar, nasceu um tubérculo nutritivo, a mandioca.

Papa-figo, um velho corcunda e barbudo, também conhecido como “homem do saco”, justamente por vagar pelas ruas com um saco nas costas onde guarda crianças desobedientes para, de seguida, comer os seus fígados.

Minhocão, Cobra-Grande (Boiuna), segundo a crença popular, o minhocão é uma cobra gigantesca que vive no Rio São Francisco e se move por baixo da terra. Seja nas águas ou em terra firme, a cobra causa estrago por onde passa, pois provoca desmoronamentos, abre grutas enormes e oferece risco de naufrágio aos pescadores e embarcações da região.

 Chico Rei surgiu na cidade de Ouro Preto, no estado de Minas Gerais. Conta-se na região que Chico era rei em uma aldeia no Congo e foi trazido para o Brasil contra sua vontade para trabalhar como escravo nas minas de ouro.

 Pai do Mato é meio homem e meio bicho, pois possui cabelos longos, unhas grandes, dentes afiados e patas de bode. Mesmo com a aparência diferente, o Pai do Mato é conhecido como um ser que cuida dos animais e ataca somente as pessoas que querem fazer mal aos bichos que vivem na floresta.

Todas as noites ele sai pelas matas montado em seu porco-do-mato para conferir se todos os animais estão em segurança.

Anhangá, o fantasma das florestas, é um espírito protetor dos animais na mitologia tupi-guarani. Aparece geralmente como um veado branco de olhos de fogo. Persegue e assusta caçadores que matam por prazer ou que caçam fêmeas prenhes.

Pisadeira, assombração de uma mulher esquelética que pisa no peito das pessoas provocando paralisia do sono quando estão dormindo.

Caboclo d'Água, monstro que habita os rios e assusta pescadores, comum em Minas Gerais.

Romãozinho, menino maldoso e travesso que prega peças cruéis.

Mão de Pau, aparição folclórica que assombrava estradas antigas. 

Mapinguari, monstro peludo e ciclope das matas da Amazônia que devora caçadores.

Caboclo d'Água, criatura anfíbia que vive no Rio São Francisco e vira canoas.

Capelobo, monstro com corpo de homem e cabeça de cachorro/tamanduá.

Mangangá, valente lendário das lendas nordestinas de capoeira e valentia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

HISTÓRIAS VIOLENTAS NO BRASIL

 

BRASIL

Guerras, revoltas, motins, sedições, levantes, rebeliões, sublevações, insurreições, conjurações, inconfidências, conspirações, golpes de estado, conflitos, invasões, revoluções, desordens, intervenções, intentonas, brigas, resistências, tumultos, movimentos, grupos de cangaço, lutas, massacres, batalhas, tramas, insurgências, intolerâncias, conflitos.

 

Primeiros envolvimentos violentos de estrangeiros nas terras recém descobertas.

 

1500 – Vicente Yáñez Pinzón é considerado o descobridor do Brasil pelas enciclopédias Britânica e Barsa, por ter atingido o Cabo de Santo Agostinho no litoral de Pernambuco em 26 de janeiro de 1500, por ele denominado Cabo de Santa Maria de la Consolacion, mas estava ciente que as terras pertenciam a Portugal de acordo com o Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 entre Portugal e Espanha.

Após descobrir o 2º cabo perto da Tigioca, se envolvera em uma refrega perdendo 11 tripulantes, porém capturou trinta e seis nativos, que mais tarde apresentou como escravos ao bispo Juan de Fonseca em Sevilha.

(Igioca ou Tigioca/Tijioca refere-se principalmente a um acidente geográfico histórico - os chamados "baixos da Tigioca" - localizado na região da foz do Rio Amazonas e da Baía do Guajará, no Pará.)

Vicente Yáñez Pinzón (1462-1514) nasceu em Palos de la Frontera, na costa da Andaluzia, Espanha, integrante de uma família de navegadores, acompanhou o genovês Cristóvão Colombo na viagem que partiu do porto de Palos, no dia 3 de agosto de 1492 com 4 caravelas e chegou ao novo mundo, na caravela Nina e seu irmão Martim Afonso Pinzón comandando a caravela Pinta.

1500 - Diego de Lepe foi um navegador espanhol. Primo de Vicente Yáñez Pinzón, partiu do porto de Palos de la Frontera, no Sul da Espanha, no início de dezembro de 1499, e alcançou a costa do Brasil, na altura do cabo de Santo Agostinho, em fevereiro de 1500. Aportou com duas caravelas perto do 1º. cabo que Pinzon havia descoberto em fevereiro.      

Em sua passagem pela Amazônia, protagonizou o primeiro massacre de indígenas no Brasil. Ao se deparar com a população nativa, foi atacado e perdeu na refrega 10 homens ao ser recebido com violência - possivelmente por tupinambás, que reagiam ao sequestro de 36 indígenas por parte da expedição anterior de seu primo. Refugiou-se em sua embarcação e, em resposta, ordenou sua equipe que disparassem seus arcabuzes contra os nativos.         

 Lepe encontrado anos depois, pelos cruzeiros portugueses, traficando na costa da África, veio a morrer enforcado. (História Geral do Brasil v1, p83 (notas. xi). 4ª. Edição integral -Tomo 1º. 5ª edição.)

Continua...

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Serpens. Misericordia nociva

 

A serpente nociva para o misericordioso

 

Quem leva ajuda aos maus, depois de um tempo sofre.

Um sujeito pegou do chão uma cobra enrijecida pelo gelo

e a aquece no regaço, ele próprio misericordioso contra si;

pois, assim que ela se refez, matou o homem imediatamente.

Como uma outra lhe perguntasse a causa da má ação, 

respondeu: “Para ninguém aprender a ser útil aos malvados”.

Serpens. Misericordia nociva.

Qui fert malis auxilium post tempus dolet.

Gelu rigentem quidam colubram sustulit

Sinuque fovit contra se ipse misericors:

Namque ut refecta est necuit hominem protinus.

Hanc alia cum rogaret causam facinoris,

Respondit: Ne quis discat prodesse improbis.

Fedro.

 


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

AS ABELHAS E OS ZANGÕES E A VESPA JUIZ

 

AS ABELHAS E OS ZANGÕES E A VESPA JUIZ

 

Lembranças do meu tempo no ginásio, onde se aprendia latim e francês.

 

As abelhas tinham feito seus favos no alto de um carvalho.

 

Os zangões preguiçosos diziam que eram deles.

 

O litígio foi levado ao foro, com a vespa de juiz;

 

Esta, uma vez que conhecia muito belamente ambos os gêneros,

 

propôs para as duas partes esta lei:

 

“Vosso corpo não é diferente e a cor é igual,

 

de modo que, com razão, o caso resultou em completa dúvida.

 

Mas, para que meu escrúpulo não cometa um erro por imprudência,

 

tomai as colmeias e vertei vossa produção nas ceras,

 

para que do sabor do mel e da forma do favo,

 

apareça o autor das coisas de que se trata agora”.

 

Os zangões recusam, às abelhas a condição agrada.

 

Então aquela apresentou esta sentença:

 

“Está claro quem não pode fazer e quem fez.

 

Por isso restituo às abelhas o seu fruto”.

 

Eu teria passado esta fábula em silêncio,

 

se os zangões não tivessem recusado o trato combinado.

 

 

Apes et fuci vespa iudice.

Apes in alta fecerant quercu favos:

 

Hos fuci inertes esse dicebant suos.

 

Lis ad forum deducta est, vespa iudice.

 

Quae genus utrumque nosset cum pulcherrime,

 

Legem duabus hanc proposuit partibus:

 

Non inconveniens corpus et par est color,

 

In dubium plane res ut merito venerit.

 

Sed ne religio peccet inprudens mea,

 

Alvos accipite et ceris opus infundite,

 

Ut ex sapore mellis et forma favi,

 

De quis nunc agitur, auctor horum appareat.

 

Fuci recusant: apibus condicio placet.

 

Tunc illa tali ius tulit sententiam:

 

Apertum est quis non possit et quis fecerit.

 

Quapropter apibus fructum restituo suum.

 

Hanc praeterissem fabulam silentio,

 

Si pactam fuci non recusassent fidem.