terça-feira, 23 de junho de 2026

GRANDES PERSONALIDADES ESQUECIDAS PELO TEMPO E PELOS HOMENS TAMBÉM.

 

GRANDES PERSONALIDADES ESQUECIDAS PELO TEMPO E PELOS HOMENS TAMBÉM.

 

 Antônio Joaquim Pereira da Silva

 Pereira da Silva, A. J.

Paraibano de Araruna, grande poeta. Vamos recordar sua vida e suas poesias.

 

SOLITUDE

 

Senhor, meu Deus! não move minha pena

Vós o sabeis, o impulso da vaidade.

A glória deste mundo é bem pequena

E não nasci para a imortalidade.

 

Mas não sei por que nada me dissuade

E, antes, tudo em meu sangue me condena

A dar forma, expressão, plasticidade,

Estilo a tudo quanto é dor terrena.

 

É meu tormento. Chamam-lhe poesia,

Arte do verso. Chamo-lhe o madeiro,

A Cruz da minha noite e do meu dia.

 

- Cruz em que verto o sangue verdadeiro

E em que minh’alma em transes agoniza

E o coração se crucifica inteiro...

1918

 

Biografia

“Quinto ocupante da Cadeira 18, eleito em 23 de novembro de 1933, na sucessão de Luís Carlos e recebido pelo Acadêmico Adelmar Tavares em 26 de junho de 1934. Recebeu o Acadêmico Múcio Leão.

Pereira da Silva (Antônio Joaquim Pereira da Silva), jornalista e poeta, nasceu em Araruna, Serra da Borborema, PB, em 9 de novembro de 1876, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 11 de janeiro de 1944.

Era filho de Manuel Joaquim Pereira da Silva e de D. Maria Erciliana da Silva. Aos 14 anos foi matriculado no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro e começou a trabalhar na Estrada de Ferro Central do Brasil. Fez os preparatórios na Escola Militar. Começou a interessar-se pelos estudos literários, estudou gramática e leu Casimiro de Abreu, Gonçalves Dias, Fagundes Varela e Castro Alves. Em 1895, matriculou-se na Escola Militar, onde fez os preparatórios. Em 1897, foi preso em função de movimento revolucionário entre os alunos. Foi implicado e, preso incomunicável, levado para o 13º Batalhão de Cavalaria, no Paraná. Em Curitiba conheceu escritores e poetas, entre os quais Dario Veloso, que muito o influenciou. Depois da prisão, em 1900, desligou-se do Exército. Voltando ao Rio de Janeiro, passou a trabalhar como funcionário postal e cursou a Faculdade de Direito.

Começou sua carreira como crítico literário nos jornais A Cidade do Rio (de José do Patrocínio, onde usou o pseudônimo J. d’Além), Gazeta de Notícias, Época e Jornal do Comércio. Participou do grupo simbolista que publicou a revista Rosa-Cruz, que tinha à frente Félix Pacheco, Saturnino de Meireles, Paulo Araújo e Castro Meneses. Tornou-se um destacado poeta do movimento, de 1903 a 1905.

Casou-se, no Rio, com a filha de Rocha Pombo. Foi nomeado, logo depois de bacharelar-se em Direito. Foi promotor público no Paraná. Em Curitiba, escreveu Solitudes, seu segundo livro, que mereceu aceitação pública. Lá poderia ter tido um belo futuro, mas decidiu pedir demissão do emprego e voltar para o Rio, em 1918, em companhia da mulher, que não se adaptara ao clima de Curitiba. Conseguiu emprego de escrevente na Central do Brasil e voltou a colaborar na Rosa-Cruz. À noite, trabalhava na Gazeta de Notícias como revisor. Em 1922, a convite do editor Leite Ribeiro, organizou e passou a dirigir a revista Mundo Literário, com Agripino Grieco e Théo Filho.

Abandonado pela mulher, e com um filho aos seus cuidados, eis o quadro da sua vida que irá se refletir na sua poesia. Fernando Góis a define como “a obra de um elegíaco, de um pessimista, um desencantado, cujas temas são a solidão, a dor, a morte, a tristeza”. Já Andrade Murici destaca aspectos da sua obra em que a poesia está profundamente embebida do espírito do simbolismo: a linguagem alusiva e secreta, o envolvimento em atmosfera de transcendência. (...) A fluidez da expressão simbolista não o conduziu, entretanto, nem à diluição, nem ao informe. Pelo contrário, evitou a descaída para a vulgaridade”.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

PRECE DE CÁRITAS

 

Prece de Cáritas

Deus nosso pai, vós que sois todo poder e bondade.
Dai a força àquele que passa pela provação.
Dai a luz àquele que procura à verdade.
Ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.

Deus,
Dai ao viajor a estrela guia,
Ao aflito a consolação,
Ao doente o repouso.

Pai,
Dai ao culpado o arrependimento,
Ao espírito a verdade,
A criança o guia
Ao órfão o pai

Senhor,
Que a vossa bondade se estenda sobre tudo que criaste.
Piedade senhor para aqueles que não vos conhecem,
A esperança para aqueles que sofrem.
Que a vossa bondade permita aos espíritos consoladores
Derramarem por toda parte a paz, a esperança e a fé.

Deus,
Um raio, uma faísca do vosso amor pode abrasar a terra.
Deixai-nos beber nas fontes esta bondade fecunda e infinita
E todas as lágrimas secaram, todas as dores acalmar-se-ão.
Uma só oração, um só pensamento subirá até vos,
Como um grito de reconhecimento e de amor.

Como moisés sobre a montanha
Nos lhe esperamos com os braços abertos
Oh bondade !
Oh beleza !
Oh perfeição !
E queremos de alguma sorte alcançar vossa misericórdia.

Deus,
Dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até vos.
Dai-nos a caridade pura.
Dai-nos a fé e a razão.
Dai-nos a simplicidade, que fará de nossas almas...
Um espelho onde se refletirá a vossa santa e misericordiosa imagem.