GRANDES PERSONALIDADES ESQUECIDAS PELO TEMPO E PELOS
HOMENS TAMBÉM.
Antônio Joaquim Pereira da Silva
Pereira da Silva, A. J.
Paraibano
de Araruna, grande poeta. Vamos recordar sua vida e suas poesias.
SOLITUDE
Senhor,
meu Deus! não move minha pena
Vós
o sabeis, o impulso da vaidade.
A
glória deste mundo é bem pequena
E
não nasci para a imortalidade.
Mas
não sei por que nada me dissuade
E,
antes, tudo em meu sangue me condena
A
dar forma, expressão, plasticidade,
Estilo
a tudo quanto é dor terrena.
É
meu tormento. Chamam-lhe poesia,
Arte
do verso. Chamo-lhe o madeiro,
A
Cruz da minha noite e do meu dia.
-
Cruz em que verto o sangue verdadeiro
E
em que minh’alma em transes agoniza
E
o coração se crucifica inteiro...
1918
Biografia
“Quinto ocupante da Cadeira 18, eleito em
23 de novembro de 1933, na sucessão de Luís Carlos e recebido pelo Acadêmico
Adelmar Tavares em 26 de junho de 1934. Recebeu o Acadêmico Múcio Leão.
Pereira da Silva (Antônio Joaquim Pereira
da Silva), jornalista e poeta, nasceu em Araruna, Serra da Borborema, PB, em 9
de novembro de 1876, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 11 de janeiro de 1944.
Era filho de Manuel Joaquim Pereira da
Silva e de D. Maria Erciliana da Silva. Aos 14 anos foi matriculado no Liceu de
Artes e Ofícios do Rio de Janeiro e começou a trabalhar na Estrada de Ferro
Central do Brasil. Fez os preparatórios na Escola Militar. Começou a
interessar-se pelos estudos literários, estudou gramática e leu Casimiro de
Abreu, Gonçalves Dias, Fagundes Varela e Castro Alves. Em 1895, matriculou-se
na Escola Militar, onde fez os preparatórios. Em 1897, foi preso em função de
movimento revolucionário entre os alunos. Foi implicado e, preso incomunicável,
levado para o 13º Batalhão de Cavalaria, no Paraná. Em Curitiba conheceu
escritores e poetas, entre os quais Dario Veloso, que muito o influenciou.
Depois da prisão, em 1900, desligou-se do Exército. Voltando ao Rio de Janeiro,
passou a trabalhar como funcionário postal e cursou a Faculdade de Direito.
Começou sua carreira como crítico
literário nos jornais A Cidade do Rio (de José do Patrocínio, onde usou o
pseudônimo J. d’Além), Gazeta de Notícias, Época e Jornal do Comércio.
Participou do grupo simbolista que publicou a revista Rosa-Cruz, que tinha à
frente Félix Pacheco, Saturnino de Meireles, Paulo Araújo e Castro Meneses.
Tornou-se um destacado poeta do movimento, de 1903 a 1905.
Casou-se, no Rio, com a filha de Rocha
Pombo. Foi nomeado, logo depois de bacharelar-se em Direito. Foi promotor
público no Paraná. Em Curitiba, escreveu Solitudes, seu segundo livro, que
mereceu aceitação pública. Lá poderia ter tido um belo futuro, mas decidiu
pedir demissão do emprego e voltar para o Rio, em 1918, em companhia da mulher,
que não se adaptara ao clima de Curitiba. Conseguiu emprego de escrevente na
Central do Brasil e voltou a colaborar na Rosa-Cruz. À noite, trabalhava na
Gazeta de Notícias como revisor. Em 1922, a convite do editor Leite Ribeiro,
organizou e passou a dirigir a revista Mundo Literário, com Agripino Grieco e
Théo Filho.
Abandonado pela mulher, e com um filho aos
seus cuidados, eis o quadro da sua vida que irá se refletir na sua poesia.
Fernando Góis a define como “a obra de um elegíaco, de um pessimista, um
desencantado, cujas temas são a solidão, a dor, a morte, a tristeza”. Já
Andrade Murici destaca aspectos da sua obra em que a poesia está profundamente
embebida do espírito do simbolismo: a linguagem alusiva e secreta, o
envolvimento em atmosfera de transcendência. (...) A fluidez da expressão
simbolista não o conduziu, entretanto, nem à diluição, nem ao informe. Pelo
contrário, evitou a descaída para a vulgaridade”.
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