quarta-feira, 30 de setembro de 2026

BOI VELHO

 

BOI VELHO

 

 

            A fazenda Boi Velho abrangia uma área que se distendia para além da crista da serra das barrigudas. Toda essa enorme extensão de terras pouco cultivadas pertencia a uma única família, a família Torres, que nem sequer avaliava o que possuía. A casa grande da fazenda, de quatro águas como se dizia naqueles tempos; localizava-se no meio das caatingas donde se avistava o lombo da serra azulada no horizonte. Cheia de portas e janelas, com um mirante ao lado, dava-lhe certa imponência e de lá se divisava a distância a torre da igreja do povoado Salgado. Na várzea do Icó onde as elevações das margens se avizinhavam, lá estava o açude, onde águas represadas pareciam um grande lago espelhado no meio das caatingas. Ali bebiam os gados e faziam-se as pescarias temporárias ou quando se desejava fritar alguns piaus ou curimatãs. Pouco se cuidava de agricultura propriamente do fazendeiro. As lavras ou roças pertenciam aos moradores distribuídos pela propriedade e, muitos deles encarregados da defesa da casa e do patrimônio. O coronel Torres, sempre acompanhado, percorria constantemente os vastos campos, montado num de seus possantes e treinados cavalos de sela. Já sabia onde pastavam os gados nas diversas fases do ano. Durante o período chuvoso, a gadaria detinha-se nas pastagens dos tabuleiros e durante o período seco espalhava-se pelas serras ou pelas quebradas da serra das Barrigudas. Dificilmente uma seca impunha a queima de “espinhos” para refrigerar os rebanhos.

            A fazenda Boi Velho criara fama na região. Não se entrava ali sem conhecimento do proprietário, para qualquer diligência, mesmo a polícia. Aliás, em qualquer circunstância o coronel Torres ditava as regras do jogo. Ele mesmo mandava ou não a pessoa infratora se entregar.

            Bastaria ser avisado. Havia respeito e homens de bem.

            O casal Torres e seus três filhos constituíam um exemplo de família. Todos os filhos estudaram em Cajazeiras, a terra do padre Rolim. Ali só se discutia em termos de família, sem amargor e sem egoísmo. Antônio Torres, o do meio, rapagão rígido e alegre, tinha uma boa pontinha de orgulho de ser Torres. Não pelos haveres da família, mas pela consideração que mereciam.

            Em Boi Velho não se praticava arbitrariedade e se amparava os injustiçados. O coronel Torres sabia distinguir coragem de valentia. Arruaceiro e ladrão não botavam os pés ou esquentavam o assento nos seus domínios. Também não tolerava amancebado, nem se bulia impunemente com a filha de ninguém.

– Quer mulher, que se case!

 Era o lema. E ninguém se atrevia a desobedecer.

Com duas filhas moças dentro de casa, dona Angélica vivia preocupada. Moça era para se casar e no meio daqueles tabuleiros e pés de serra sertanejos tudo lhe parecia difícil. Uma visita ou outra de tempos em tempos não ofereciam oportunidades ao surgimento de afeições que pudessem conduzir a um noivado. E mais ainda, dada à condição social da família, muitos rapazes não procuravam se aproximar. E seria, talvez, entre esses moços simples, onde estariam os melhores partidos para suas filhas.

Dona Angélica desejava mudar-se para uma boa cidade, com o pensamento voltado unicamente para suas filhas moças. Gostava da vida tranquila da fazenda, mas não lhe parecia justo manter as meninas, como ela chamava, naquele internato da roça. Falou com o Sr. Torres que não concordou com a ideia. Iria sim fazer passeios mais demorado, assistir festas, dar às filhas as oportunidades que foram sugeridas. Não seria fácil, a ele, adaptar-se ao ambiente das cidades, fazer novo relacionamento; enfim mudar completamente seus hábitos tradicionais de homem do campo. O seu meio era aquele, com os seus compadres, suas comadres, seus vaqueiros, o açude, as pescarias, os gados, as casas e as famílias dos moradores. Até mesmo a passarada que habitava o velho pomar de mangueiras, cajueiros, goiabeiras e coqueiros. Iria lhe fazer imensa falta. São pequenas coisas que se grudam ao coração das pessoas e não podem se despregar sem uma mutilação sentimental. Reconhecia que as filhas exigiam um ambiente social bem diferente. Mas sentia-se sem condição de acompanhá-las na mudança.

Instalaria casa na cidade próxima, isto sim, e lá habitariam mulher e filhas, se assim o desejassem. E a iniciativa vingou. Ele mesmo passaria na cidade, apenas os dias de finais de semana. Depois, quem sabe, poderia até acomodar-se.

- Toma conta de tuas filhas.

O coronel Torres mudou-se em definitivo para a cidade. Não perdia missa.

- Olha estás muito misseiro. Não eras assim de certo tempo para cá. Será que está acontecendo alguma coisa. Abre teus olhos. Se te pego bicho, arranco-te o fígado e dou aos gatos.

- Vou por pura fé, Angélica.

- Em todo caso vou te prestar mais atenção. Há muita mulherzinha saçaricada por aí. E está história de te mudares para cá pode ter água no bico.

- Em minha idade, Angélica?

- Para safadeza não há idade. E há tanto velhote enxerido. E logo tu, criado e mantido com leite puro e carne de sol sertaneja. Além disto, tenho notado que me andas de bigode bem aparadinho, cabelos bem penteado, gravata nova e vistosa. Vou findar amassando tuas roupas e escondendo as loções e brilhantinas.

- Que bobagem, Angélica. São exigências, da sociedade. Como queres que eu ande?

- Com vergonha nessa cara de pilantra.

- Está certo. Entra para o quarto.

- Há esta hora?

- Toda hora é hora para rezar...

            A cidadezinha teve assunto por vários dias. A família Torres mudara-se para a cidade. Comprara a casa grande de Seu Abílio, a mais importante moradia do lugar. Espaçosa, alta, cercada de varandas e um quintal que parecia um sítio.

            - É isto mesmo, cheio das granas, faz o que quer. Seu Abílio está de bolso apipado. Velho de sorte. Iria morrer dentro daquele convento e sem dinheiro para o enterro. Cada um tem o seu dia.

            A mansão, toda pintada de róseo, por fora, tomara logo outro aspecto. Tinha-se a impressão de que estava novinha em folha. A rapaziada agitou-se, não com a renovação, mas com as duas moças que frequentemente desfilava pelas varandas ou ficavam nas cadeiras de balanço das alpendradas, como dois frutos que deveriam ser colhidas antes da maturação. Não eram modelos de beleza, mas tinha o todo agradável, uma simpatia dessas simpatias de sertanejas sorridentes e atrativas. Ademais, cheiravam a moças ricas. Como eram de esperar não faltaram visitas e mais visitas. Com pouco tempo estava formado o novo ambiente social para uma desforra de tantos anos de recolhimento na roça.

            Não tardaram as serestas, fossem ou não noites de luar, à exceção dos dias em que o coronel Torres estava em casa.

Lia e Lina estava de espírito renovado.

            Pensavam no dia do aniversário das duas, gêmeas que eram. Se na fazenda a comemoração era singela, com alguns doces e abraços, ali na cidade sonhavam com uma festividade bem diferente, inclusive com muitos convidados e uma dança de pegar o sol com a mão. Quanto do restante, já se sabia o que desejavam. Mas, nada iria acontecer se o papai não consentisse o que seria pouco provável. No sábado, dia de feira, Torres deveria chegar. Quem, no entanto, teria coragem para tocar no assunto. Apenas dona Angélica poderia sugerir-lhe, sem, todavia, falar em nome dos filhos e como se elas ignorassem o que pretendia fazer.

- Torres, deve estar lembrado que as meninas aniversariam no próximo dia 18 de março. Até hoje não festejamos o seu aniversário como elas merecem. Sabes também que aqui na cidade têm os olhos em cima da família Torres. E se chegarem, a saber, que deixamos de festejar o aniversário das duas, iria com certeza nos censurar. Elas ficariam muito felizes se lhes prestássemos essa homenagem.

- Concordo contigo, Angélica, mas conheço pouca gente daqui e temo desagradar alguns que, por acaso, não sejam convidados. Até mesmo pessoas de destaque social.

- Por isto não. Eu me encarregaria dos convites. Já tenho algumas amigas entre casadas e moças, o que facilitará os convites. É necessário também que te tornes mais popular. Uma festa simples, mas, que agrade a todos. Naturalmente as despesas com jantar, e bebidas e arranjos não serão desprezíveis, no entanto, também não serão exageradas. Faremos o máximo de economias. O bolo de aniversário sabe bem que eu e as meninas o faremos. Igualmente bolinhos, pastéis e impadas.

Posso comunicar às meninas?

- Pensa bem. Vão ter muito trabalho e eu não tenho jeito para essas coisas. Além disto, não podemos decepcionar os convidados.

- Há mais um detalhe. Aqui no interior uma festa de aniversario sem baile, não se coaduna com os hábitos do povo.

- Isto vai complicar as coisas. E, além disso, as meninas creio, nem sabem dançar. Seria um fiasco. Igualmente, julgas conveniente encher a casa de rapazes? Quero ver nossas filhas agarrar com qualquer um!...

- Qual é a moça que não sabe dançar, Torres. Já nascem sabendo. Poderão também treinar uma com as outras, semanas antes. Moças deste sertão dançam mais do que carrapeta... E quanto a rapazes, só convidaremos gente limpa, de boa família.

 Mas tem muito cabritinho enxerido.

- Ora, se alguém faltar com decoro, convida-se para sair ou chama-se atenção.

- Eu mesmo não vou fiscalizar nada.

- Também não irá precisar. Ficarás para lá tomando tuas cervejas com teus amigos. Mas tem uma coisa, não vai te enxerir para o lado das mulheres.

- Eu, com esta cara. Achas?

- Sei lá. Há muita dona que não escolhe cara, e, sente orgulhosa em flertar com o dono da festa, fazer certas intimidades com o coronel Torres, o maior fazendeiro da terra. Vê bem.

- Não deverias ter me chamado atenção para essas coisas. Não se catuca o cão com vara curta...

            - Pois sim. Não te metas...

- Vai depender das circunstâncias...

- Bem, vocês que se encarreguem de tudo tivestes uma ótima idéia. Mas abres os olhos de Lia e Lina. Que não se soltem, senão acabarei com a alegria...

- Deixa as meninas para lá. Elas têm muito juízo e sabem bem o que fazem.

- Meçam bem a coisa para não faltar nada. Toma a chave das gavetas. Mas não me arrebentem.

- Que nada. Tudo será especificamente calculado.

E, afinal, chegou o 18 de março. Não faltou quem viesse ajudar nos preparativos. Senhoras, moças e alguns rapazes.

Mesas trazidas pelos convidados encheram a sala e as varandas. Seria uma coisa jamais vista na cidade.

O coronel Torres entrou em casa e admirou o arranjo – Mulherzinha danada prometeu e fez melhor do que esperava. Deveriam ter esvaziado as gavetas. Disfarçadamente foi revistá-las. Parecia até que não havia bulido no dinheiro. – Mulher faz milagre. Tomou logo uma cerveja, acendeu um cigarro e pôs-se a observar o movimento, o entra e sai das pessoas, que colaboravam. E considerou que o lugar de se viver era mesmo na cidade. Lá no mato ninguém se animava a tanto. Servia só para juntar dinheiro, dormir cedo e ouvir a passarada cantar. Já estava mesmo no tempo de mudar de vida.

E, no mesmo momento, tomara a decisão de mudar-se também. Fazenda uma vez ou outra. O filho que tomasse conta com os vaqueiros e moradores, já estava ficando velho e precisava descansar e mais conforto. O filho bem que poderia se casar e ficar por lá até se enjoar também.

À tardinha a casa começou a se encher inclusive de gente pobre que tinha lá atrás numa palhoça. Dona Angélica não se esquecera de ninguém. Uma varanda, a de frente, destinada aos homens mais respeitáveis. As duas outras para as mulheres e a mocidade. Velho lá para um canto, comendo, bebendo e batendo papo. Contando casos, vantagens e anedotas ou mesmo mentindo. Tudo dava no mesmo, contanto que deixasse em liberdade o restante. Um grupo de mocinhas da terra servia atenciosamente. Meninas escolhidas, de boa aparência e desembaraçadas. Somente isto já era um atrativo. E delas se aproveitam os respeitáveis chefes de família no terraço da frente. E o mais curioso é que elas gostavam de ser admiradas. Palmadinhas, ligeiros beliscões, batidas de joelho nas pernas. Pena era que as patroas tão confiantes não vissem...

Depois de apagadas as velinhas, sopradas pelas duas ao mesmo tempo, o sanfoneiro derreteu a concertina e os pares encheram o salão. Lia e Lina foram as primeiras a dançarem sozinhas. Uma valsa bem ensaiada. Na verdade, já estavam com dois namorados. Até os “respeitáveis” foram presenciar o inicio do baile.

- Bem que dizia Angélica. Moça já nasce sabendo dançar. Que diabo estava eu fazendo nos matos tanto tempo. Matando minha mulher e minhas filhas de solidão!

Quando as duas pararam, beijou a ambas e desejou-lhe felicidades. Mas foi se sentar preocupados e quem seria os dois que dançaram com as filhas. Se não foi coisa já planejada, estava visto que era começo de namoro. Aliás, muito parecidos, os dois. Caras de irmãos. Coisa preparada pela Angélica e as meninas, com certeza. A festa quase amanhece o dia. Ninguém desejava deixar um ambiente tão agradável, tão convidativo.

A festa deixou marcas na cidade e no povo. Sem luxo, mas, completa.

O velho Torres queria fazer perguntas, mas não encontrava jeito. Não era habituado a dar confiança com perguntas que consideravam infantis ou de alcoviteiro. Não fazia perguntas, mas ficava se mordendo de curiosidade. Ficara lá para um recato com os amigos e não prestara atenção no volteado da juventude e das mulheres que atiçavam namoros. As filhas eram duas inocentes. Criadas na roça e em internato de freiras, coitadas, não possuíam experiência da vida social. Andava de orelha e nariz no ar para ver se pescava conversações e comentários da festa. Observava que a mulher e as duas teciam as coisas quase em silêncio, o que o intrigava. Estava como se tivesse ido a Roma e não tivesse visto o Papa. E chegou a um ponto que não se conteve. À hora do almoço, abriu a conversa. – Então, gostaram da festa.

- Ora, Torres, foi excelente.

- Maravilhosa! Papai.

- Ainda bem que gostaram e devem ter se distraído bastante.

- Fizemos muitas amizades, conhecemos muitas moças, muito rapazes, muitas senhoras distintas.

- Ainda bem que se não foi em vão que fizemos à festa. Havia-se de comemorar o aniversário de vocês duas.

Também já era tempo, meninas. Na roça a gente nem se lembra dessas coisas. Trabalha-se, trabalha-se e dorme-se com uns anjinhos implumes. Vida saudável, mas sem esses atrativos. Afinal, o baile foi como desejavam?

- Bom até demais. Muita moça...

- E a rapaziada conduziu-se bem?

Ah! Muito respeito e muita alegria.

Para o Torres a coisa continuava indefinida. O coronel Torres era experiente e ficou à escuta. Na hora da missa observava as filhas e nem tinha tempo de prestar atenção ao ofício e ao sermão do vigário. E foi então que notou que dois rapazes estavam de olho nas meninas. Elas cochichavam e riam com os olhos. E depois da missa o coronel saudou-os. Que tal o sermão do padre. Não acharam a missa um tanto arrastada. Pareceu.

- Não, pai. Tudo tão curto.

- E sobre que falou o vigário, no sermão?

- Só me lembro do fim, quando falou sobre a caridade e pediu espórtulas para a igreja, como sempre faz.

- Mas, olhe, na igreja ninguém cochicha. É falta de respeito a Nosso Senhor. E como um assunto puxa outro, não se encontraram por acaso com pessoas que vieram à nossa festinha? O que dizem a respeito. É conveniente ouvir para evitar falha no futuro.

- Temos visto muitas e todas estão esperando por outro aniversário. Hoje na igreja vimos várias pessoas que sorriem para a gente num sinal de que gostaram.

- Quem aprecia mais, as moças ou os rapazes. Sei que minha turma adorou.

- Rapazes e moças. Quanto às senhoras mamãe é quem sabe...

O coronel Torres percebia que as meninas eram mais sagazes do que pensava. Deixava-o sempre no ar.

Foi à fazenda, como de costume, mas resolveu, de caso pensado, voltar no dia seguinte à noite. E foi aí que descobriu o segredo das meninas. Pegou-as com os namorados na maior efusão. E certificou-se então que a festa não fora em vão. O susto dos quatros deixou-os tontos.

O Torres, no entanto, desfez o vexame. Cumprimentou os moços com alegria, ofereceu-lhes a casa e entrou para comentar com dona Angélica.

- Parece que as meninas estão progredindo. Dava-me pena aquela vida de isolamento da fazenda. Afinal de contas as moças têm direito a uma convivência mais afetiva.

- Pelo que noto Torres, vai dar em casamento. As meninas não falam noutra coisa. Apenas tinham receio de tua reação.

- Ora mulher, moça que não se casa termina insuportável e frustrada. E os dois. Quem são?

- Ah! Gente das melhores famílias. Não são pessoas ricas, mas, excelentes rapazes.

- Elas não precisam de dinheiro, mulher, mas unicamente de bons maridos. Dinheiro dar conforto, mas não dá felicidade a ninguém. As vezes até atrapalha.

- Um é filho de fazendeiro e o outro de comerciante. Frequentaram colégio, mas preferiram o campo e a loja. Dizem minhas amigas que não podia haver melhor escolha. São aqueles dois que dançaram a valsa com elas. E são muito religiosos.

- Vi-os na igreja e não tenho dúvidas disso. Apenas os santos de sua devoção não era Nossa Senhora da Conceição. Eram santas Lia e santa Lina. E olha os quatro nem sabem para onde foi missa e sermão. Essa história de namoro em casa de oração é um ato pecaminoso.

- E onde foi que nos conhecemos, hem Torres? Só faltava me agarrar na igreja. Pelo menos me engolia com os olhos e bulias comigo nos gestos. Nem sei como o padre não te expulsava da igreja. Lá a rapaziada e as moças vão mais para namoro mesmo. Essa história de terço e livro de reza nas mãos é somente aparência. E há porventura, religião melhor do que um bom namoro. E se acabasse com namoro nas igrejas católicas, só iriam lá os velhos e isto mesmo nem todos. Um sorriso trocado na igreja é a mais milagrosa água-benta. Não sei por que, mas é assim mesmo. Bem sabes disto...

 

João Henriques da Silva

Meu pai

 

 

domingo, 27 de setembro de 2026

FRUTAS ESQUECIDAS DO PASSADO

 

PITANGA

A pitangueira, é uma árvore frutífera nativa do Brasil, no meio científico é conhecida como Eugenia uniflora da Família Myrtaceae. Conhecida também como, ginja, pitanga-branca, entre outros e também é conhecida internacionalmente como Brazilian Cherry – cereja brasileira. Vivem desde Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, em regiões de clima subtropical. Porém, é muito adaptável às diversas condições de clima.

É uma árvore ou arbusto com altura de 6-12m, dotada de copa mais ou menos piramidal. Tronco tortuoso e um pouco sulcado, de 30-50cm de diâmetro, com casca descamante em placas irregulares. Flores solitárias ou inflorescências de cor branca e frutos vistosos, brilhantes e sulcados. Os frutos são bagas globosas, lisas, sulcadas e brilhantes. Muito apreciada por seus frutos saborosos e propriedades medicinais. As folhas aromáticas são usadas em infusões, chás com ação cicatrizante, febrífuga e no combate a diarreias leves e inflamações, se óleos essenciais para a indústria de cosméticos.

A polpa da pitanga possui, a partir de 100 gramas do fruto, 38 calorias, 0,3g de proteína, 10mg de cálcio, 20mg de fósforo, 2,3mg de ferro 0,03mg de vitamina B2 e 14mg de vitamina C. A pitangueira é uma fruta bastante nutritiva, que pode ser inserida na alimentação porque previne e trata diversos tipos de doenças, como, por exemplo a osteoporose e o câncer.

O nome pitanga vem do tupi   ybápytanga ou   ybá = fruto, pytanga = avermelhado   e significa fruto avermelhado. Produz frutos de sabor agridoce, mudam do verde ao vermelho-intenso ou tons arroxeados conforme amadurecem. Atrai diversas espécies de pássaros e abelhas, ajudando na biodiversidade urbana e silvestre. Na forma natural ou transformado em sucos, geleias, sorvetes e licores. Excelente para arborização de calçadas, praças, pomares residenciais e cercas-vivas.

A cor viva e avermelhada da fruta deu origem à famosa expressão popular "chorar pitanga", que significa lamentar-se ou chorar por algo de forma exagerada.

Se você amassar as folhas da pitangueira, vai sentir um perfume forte e característico. Isso acontece porque elas possuem glândulas com óleos essenciais.

É muito difícil encontrar pitangas frescas para comprar em grandes supermercados porque a casca é extremamente delicada e o fruto estraga com muita facilidade no transporte. Simboliza a tropicalidade brasileira, a simplicidade, a alegria e as boas memórias da infância ligadas aos quintais. Na espiritualidade e Religião principalmente na matriz africana, as folhas da pitangueira são consideradas sagradas em rituais e banhos de purificação. A planta possui forte ligação com Oxóssi, o orixá das matas, simbolizando a fartura, a generosidade e a força da natureza. Esoterismo e bruxaria: A fruta também é associada à proteção contra energias negativas, à prosperidade, à fertilidade e à atração de harmonia para o amor. 

GRIJALVA

27.09.26

 

 

domingo, 20 de setembro de 2026

POSTAGEM DE RAU FERREIRA SOBRE O AGRONOMO JOÃO HENRIQUES DA SILVA

 





Nascido em 20 de setembro de 1901, na Fazenda Arara, localizada no município de Esperança, Estado da Paraíba, era filho de Manoel Virgolino da Silva e Maria Narcisa da Silva. Casou-se em 10 de novembro de 1928, com Nícia Maracajá Henriques. Ela nascida na Fazenda Nova Vista, no município de Gurjão, em 4 de agosto de 1913. Esse consórcio estendeu-se por quase 75 anos.

Dessa união descende cinco filhos: Robério Maracajá Henriques, Níobe Maracajá Henriques, Parsival Maracajá Henriques, Ceres Maracajá Henriques e Isis Maracajá Henriques.

João Henriques iniciou seus estudos preliminares em sua cidade natal, Esperança, na Paraíba. Em busca de aprofundamento, ingressou no Seminário Maior de João Pessoa e, nos anos de 1919 e 1920, estudou no prestigiado Liceu Paraibano.

A consolidação de sua formação técnica e científica ocorreu em Minas Gerais, onde obteve o diploma pela Escola Mineira de Agronomia e Veterinária de Belo Horizonte no ano de 1923.

Nesse mesmo período, cumpriu com suas obrigações militares, tendo sido sorteado para o Exército Brasileiro e incorporado em 11 de maio de 1923, em Belo Horizonte, figurando na caderneta militar sob a Classe 1901, Primeira Linha, número 1966, Série A, Quarta Divisão, Oitava Brigada de Infantaria, Décimo Segundo Regimento, Segundo Batalhão, Sétima Companhia.

Em 13 de outubro de 1925, foi nomeado Agente de Estatística do algodão no Estado da Paraíba, vinculado ao Ministério da Agricultura. Seu primeiro desafio prático como agrônomo consistiu na preparação de um campo experimental destinado ao cultivo de algodão e feijão no município de Boqueirão, situado na várzea que, hoje, abriga o açude Epitácio Pessoa.

Em 24 de maio de 1926, recebeu indicação formal para administrar a Fazenda de Sementes de Pendência, na Paraíba, instituição que posteriormente daria origem à Emepa.

Atuou como colaborador do Instituto Biológico de Defesa Agrícola e Animal da Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio do Estado de São Paulo, a partir de 27 de agosto de 1928. E no ano seguinte, em 2 de fevereiro de 1929, assumiu a representação da Sociedade de Agricultura da Paraíba.

Em 16 de julho de 1931, iniciou os estudos para a construção do açude público de Soledade, na Paraíba, atuando em conjunto com a Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas.

Em 1º de março de 1933, ascendeu na carreira federal ao ser nomeado Inspetor de Segunda Classe da Primeira Seção Técnica da Diretoria de Plantas Têxteis do Ministério da Agricultura. Meses depois, em 4 de julho de 1933, assumiu a direção do campo de sementes de plantas têxteis do mesmo Ministério, localizado em Pendência, na Paraíba.

Em 22 de outubro de 1935, foi designado para o cargo de Subassistente da Diretoria do Serviço de Plantas Têxteis, em Alagoinha, na Paraíba. Pouco tempo depois, em 12 de dezembro de 1935, ficou incumbido de chefiar a estação experimental daquela mesma cidade, na seleção de variedades de algodão.

Em 15 de julho de 1936, assumiu a direção do laboratório de sementes do Ministério da Agricultura, sediado em João Pessoa. Nesse tempo, destacou-se pela produção intelectual, contribuindo reiteradamente com artigos para o Boletim da Diretoria de Fomento da Produção Vegetal e de Pesquisas Agronômicas, periódico impresso pela Secretaria de Agricultura, Comércio, Viação e Obras Públicas.

O ano de 1937 marcou uma expansão interstadual de sua atuação. O governo de Pernambuco, por intermédio do Ministério da Agricultura, solicitou oficialmente sua colaboração técnica. Em 31 de maio daquele ano, foi formalmente designado para colaborar com a administração pernambucana na execução de serviços relativos ao fomento da produção vegetal, com ênfase no setor de plantas têxteis.

Desenvolveu ainda pesquisas fundamentais sobre a flora nordestina, culminando na publicação, em 1938, de uma monografia ilustrada sobre o Caroá, editada pelo Departamento Nacional de Produção Vegetal do Ministério da Agricultura. Este trabalho de trinta e cinco páginas alcançou tamanha relevância científica que, em 4 de maio de 1940, a Universidade de Harvard, por meio do Gray Herbarium, localizado em Cambridge, Massachusetts, solicitou formalmente uma cópia do estudo ao Ministério da Agricultura brasileiro.

O reconhecimento consolidou-se em 12 de setembro de 1938, quando foi nomeado de forma efetiva pelo então Interventor Federal do Estado da Paraíba, Argemiro de Figueiredo, para exercer o cargo de Assistente-Chefe da Segunda Secção Técnica da Diretoria do Fomento da Produção, bem como o cargo de Assistente Técnico da mesma diretoria, funções que exerceu por nove anos consecutivos.

Além disso, em 4 de abril de 1939, assumiu a função docente, sendo designado professor da cadeira de Defesa Sanitária do Algodão e Estatística no curso de Classificação de Algodão no estado da Paraíba.

Em 20 de maio de 1940, sua trajetória de dedicação ao serviço público foi laureada com a Medalha de Prata comemorativa do Cinquentenário da República, conferida pelo Presidente da República, acompanhada de diploma alusivo rubricado pelo Chanceler e Presidente dos Conselhos das Ordens Nacionais do Cruzeiro do Sul, do Mérito Naval e do Mérito Militar.

Em 4 de setembro de 1940, foi designado Diretor de Fomento da Produção com a missão de inspecionar os serviços de cooperativismo e classificação do algodão no interior da Paraíba.

Em 11 de dezembro de 1941, quando, na qualidade de Diretor da Diretoria de Fomento da Produção, passou a responder pelo expediente integral da Secretaria de Agricultura, Viação e Obras Públicas do Estado da Paraíba, sob a interventoria de Ruy Carneiro, função para a qual foi novamente designado em 23 de fevereiro de 1942, durante a gestão interina de Samuel Duarte.

Durante a Segunda Guerra Mundial, sua capacidade de gestão estratégica foi requisitada pelo governo federal. Em 15 de maio de 1945, assumiu a relevante posição de Assistente da Comissão de Controle dos Acordos de Washington para o Estado da Paraíba. Nessa função crítica, detinha poderes para exercer o controle do comércio e da indústria de artefatos de borracha e executar as rigorosas instruções ministradas pela comissão central no Rio de Janeiro.

No​ cenário pós-guerra, continuou a liderar projetos de modernização agrícola. Em 28 de dezembro de 1945, foi designado para reorganizar o Horto Simões Lopes e atuar como promotor do estudo das variedades de coqueiro cultivadas na Paraíba.

Em 8 de abril de 1947, durante o governo de Osvaldo Trigueiro, foi nomeado Diretor do Departamento de Classificação de Produtos Agropecuários da Paraíba. No ano seguinte, em 28 de julho de 1948, integrou a comissão técnica encarregada da organização e execução do plano de fomento da produção algodoeira do estado.

Em 17 de setembro de 1949, passou a integrar a Comissão do Vale do São Francisco, representando a Paraíba e liderando o setor de terras e colonização, mandato que foi posteriormente prorrogado.

Em 15 de abril de 1950, assumiu a chefia da Granja São Rafael, em João Pessoa, fixando residência nessa fazenda experimental. Poucos meses depois, atuou como membro da banca examinadora do concurso de títulos para o provimento de cargos da classe inicial da carreira de Agrônomo do quadro único do estado da Paraíba.

Nessa mesma década (1950) foi convocado ao Rio de Janeiro para chefiar um departamento no Ministério da Agricultura, juntamente com o Dr. Oscar Guedes.

De volta à Paraíba, foi designado chefe da Segunda Zona Agrícola, com sede em Campina Grande, em 16 de março de 1951. E em 17 de setembro de 1952, durante a gestão do governador José Américo de Almeida, foi nomeado Diretor do Departamento de Produção do Estado.

No ano seguinte, em 6 de fevereiro de 1953, foi escolhido como representante do Governo do Estado para constituir a Comissão Permanente de Defesa do Algodão.

A carreira formal como servidor do Estado da Paraíba encerrou-se em 12 de fevereiro de 1954, quando obteve sua aposentadoria ocupando o cargo de Agrônomo, classe "Q", do quadro permanente, lotado no Departamento da Produção.

No entanto, em 1958, a convite de um antigo colega, transferiu-se para a iniciativa privada no Estado de Alagoas, passando a trabalhar na Companhia de Progresso Rural, localizada na comunidade de Pindorama, município de Coruripe.

Essa mudança geográfica marcou o início de uma nova e frutífera fase de sua carreira, focada no desenvolvimento do Baixo São Francisco.

Em 8 de agosto de 1959, retornou ao serviço público federal ao ser designado encarregado da Patrulha Motomecanizada na Residência Agrícola de Penedo, em Alagoas, sob a égide da Comissão do Vale do São Francisco, passando a responder pelo expediente completo dessa residência agrícola poucos dias depois.

As​ décadas de 1960 e 1970 consolidaram João Henriques da Silva como o grande pioneiro e estruturador da orizicultura na região do Baixo São Francisco. Operando a partir da cidade de Penedo, em Alagoas, manteve vínculos contínuos com a Superintendência do Vale do São Francisco (SUVALE), exercendo diversas funções de coordenação e direção em residências agrícolas locais e fazendas escolas, como a de Porto Real do Colégio.

Em 21 de março de 1969, assumiu a coordenação do serviço de experimentação na área da Sexta Agência Regional da SUVALE, com foco direto no fitomelhoramento, na refertilização dos solos e no melhoramento genético da rizicultura regional.

A sua grande contribuição técnica na agronomia ocorreu em 13 de janeiro de 1970, quando logrou êxito na criação da variedade de arroz denominada "Suvale I 70". Essa inovação científica obteve notório destaque em todo o território nacional, passando a ser cultivada em noventa e cinco por cento das áreas de várzea dos estados de Sergipe e Alagoas, revolucionando a economia agrícola local.

O profundo conhecimento acumulado sobre o tema resultou na publicação, em 1º de março de 1973, de um extenso boletim de cento e dezessete páginas intitulado "O Arroz no Baixo São Francisco", editado pelo Departamento de Valorização Rural da SUVALE. A expertise do agrônomo tornou-se referência, motivando constantes convites para cursos, encontros de pesquisa e extensão, incluindo atuações na EMBRAPA e na SUDENE.

A par de suas atividades de campo e pesquisa, dedicou-se ao magistério superior. Entre os anos de 1977 e 1982, atuou como professor na Faculdade de Formação de Professores de Primeiro Grau de Penedo, instituição vinculada à Fundação Educacional do Baixo São Francisco.

Com a transição institucional da SUVALE para a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF), assumiu novas responsabilidades diretivas. Em 7 de novembro de 1977, foi designado presidente da comissão encarregada da avaliação das áreas das várzeas de Boacica, Marituba, Brejo Grande, Cotinguiba e Pindoba.

Nos anos iniciais da década de 1980, coordenou atividades relativas à produção e beneficiamento de sementes e mudas na Quarta Diretoria Regional da CODEVASF, integrando comissões estaduais em Alagoas e Sergipe.

Em dezembro de 1982, atuou como coordenador do grupo para a elaboração do plano agrícola para a área de irrigação do projeto Cotinguiba/Pindoba, em Sergipe, em parceria com a FAO. O encerramento definitivo de seu vínculo empregatício com a CODEVASF ocorreu apenas em 24 de outubro de 1983, quando contava com oitenta e dois anos de idade.

Três anos após o término formal de suas funções, em 26 de setembro de 1986, recebeu em Brasília a Medalha do Mérito da Irrigação e Drenagem “José Augusto Trindade”, outorgada pela Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID), chancelando sua imensa contribuição para a infraestrutura agrícola do país.

Além de sua vasta carreira no setor agronômico, João Henriques construiu uma sólida presença na vida cultural, associativa e literária das regiões em que residiu.

Desde a juventude, engajou-se no associativismo civil. Em 24 de abril de 1927, tornou-se sócio benemérito do Vera Cruz Foot-Ball Club, em Esperança. Posteriormente, consolidou sua liderança social integrando o Rotary Clube de Penedo em 1966 e, mais tarde, associando-se ao Lions Clube da mesma cidade no final de 1970.

Seu compromisso cívico também se refletia na frequente atuação perante a Justiça Eleitoral, tendo sido reiteradamente nomeado para compor juntas de apuração eleitoral nas décadas de 1970, na jurisdição de Penedo.

No​ campo da preservação da memória e do estudo regional, manteve estreitos vínculos com instituições históricas. Foi aceito como sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano em 1941, atuou como sócio correspondente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano e, de forma póstuma, em 8 de dezembro de 2005, foi homenageado como Patrono da Cadeira número 87 do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri Paraibano. Em 2004, seu nome figurou em pleito para designar um novo edifício da CODEVASF em Penedo, demonstrando o respeito de seus pares institucionais.

Deixou um extenso acervo de literatura de ficção, incluindo cento e setenta e seis contos e dois romances inéditos, intitulados “Gracinha a menina dos olhos verdes” e “Paraíba nossa terra nossa gente”. A difusão do conhecimento, contudo, não se limitou à literatura; foi um pioneiro na extensão e comunicação rural, apresentando programas de perguntas e respostas sobre agricultura em diversas emissoras de rádio de Campina Grande e de Penedo, bem como redigindo assiduamente artigos para o jornal oficial "A União", do Estado da Paraíba.

Essa integração multifacetada entre a técnica agronômica, a gestão pública e a difusão cultural sedimenta o perfil de um intelectual cujo legado permanece indissociável do desenvolvimento agrário brasileiro no século vinte.

João Henriques da Silva faleceu em 16 de abril de 2003, na cidade de Maceió, Alagoas, aos cento e um anos, sete meses e quatro dias de idade, mantendo-se lúcido até os seus últimos momentos. Sua esposa faleceu no mesmo ano, poucos meses depois, em 11 de novembro de 2003, também na capital alagoana.

 

Rau Ferreira

 

 

Fonte: http://wwwcontandohistorias-historiador.blogspot.com.br/2015/04/aniversario-de-morte-de-joao-henriques.html, em 10/04/2015. Também visitado em 29/11/2024.

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ANIVERSÁRIO DE ROBÉRIO - 17 DE SETEMBRO

 

Robério ou bel como era chamado pelos irmãos mais chegados, acho que nunca o encarei de frente para chama-lo de Bel. Talvez por eu ser um “estranho no ninho”. Família é coisa muito difícil de se explicar onde começa e onde termina...tivemos poucas relações durante a vida. Sempre ariscos, não sei porquê? Hoje, através da ciência espirita, é que sabemos, por cima, porque nos juntaram num mesmo lar. Coisas da vida planetária.

De vez enquanto e principalmente quando ouço boleros antigos, surgem imagens perfeitas dele cantado essas músicas que nunca saíram da minha memória de menino lá pelos lados de João Pessoa; ele, Guy, Nadir, todos com vozes maravilhosas que até hoje me emociono quando ouço por exemplos as músicas: Marina, morena você se pintou... e por aí vai. O tempo passa e a saudade aumenta.

Passei batido pela a data do seu aniversário que foi no dia 17 de setembro, contudo, portanto e por isso estou tomando umas e ouvindo na voz dos antigos cantores suas canções maias queridas.

Até breve,

Grijalva

Marina

Dorival Caymmi

Marina morena, Marina

Você se pintou

Marina, você faça tudo

Mas faça um favor

Não pinte esse rosto que eu gosto

Que eu gosto e que é só meu

Marina, você já é bonita

Com o que Deus lhe deu

Me aborreci, me zanguei

Já não posso falar

E quando eu me zango

Marina, não sei perdoar

Eu já desculpei muita coisa

Você não arranjava outro igual

Desculpe, Marina morena

Mas eu estou de mal

Eu já desculpei muita coisa

Você não arranjava outro igual

Desculpe, Marina morena

Mas eu estou de mal

De mal de você

De mal de você

 

 

ANIVERSÁRIO DO MEU PAI

 

A Meu Pai Morto

Augusto dos Anjos

 

Madrugada de treze de janeiro.

Rezo, sonhando, o ofício da agonia.

Meu pai nessa hora junto a mim morria

Sem um gemido, assim como um cordeiro!

 

E eu nem lhe ouvi o alento derradeiro!

Quando acordei, cuidei que ele dormia,

E disse à minha Mãe que me dizia:

"Acorda-o!" deixa-o, Mãe, dormir primeiro!

 

E sai para ver a Natureza!

Em tudo o mesmo abismo de beleza,

Nem uma névoa no estrelado céu.

 

Mas pareceu-me, entre as estrelas flóreas,

Como Elias, num carro azul de glórias,

Ver a alma de meu Pai subindo ao Céu!

 

Ofereço essa poesia do augusto ao meu pai que pegou carona no carro azul de gloria do mestre Elias. Apenas as datas diferem.  Meu pai desencarnou no dia 16 de abril de 2003, tendo nascido no dia 20 de setembro de 1901.

Minhas singelas homenagens ao seu aniversário.

Grijalva

 

 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

FRUTAS ESQUECIDAS DO PASSADO - JENIPAPEIRO

 

Jenipapeiro

Jenipapo é o fruto do jenipapeiro (Genipa americana), uma árvore que chega a vinte metros de altura, é da família Rubiaceae, a mesma do café. É encontrada em todo o tópico. No Brasil, encontramos pés de jenipapo nativos na Amazônia e na mata atlântica, principalmente em matas mais úmidas, ou próximo a rios; também temos o jenipapo-bravo geralmente das espécies Tocoyena formosa, outra variedade é o Genipa americana jenipapo, cabaçu, janapabeiro, janipaba, jenipá, jenipapo-bravo, jenipapo-do-mato, jenipaba, jenipaca, jenipapinho, jenipapo, jenipava

Madeira para construção civil; naval, marcenaria, tornearia, carrocerias, móveis de luxo, cabos de ferramentas, coronhas de armas, batentes de portas e janelas, moldes para aeromodelismo, fôrmas de sapato, espadas para esgrima potencial para arborização de rua em função do seu porte. Tem um grande potencial apícola, pois suas flores são melíferas, seus frutos comestíveis que servem para fazer sucos, doces, licores e corantes azuis; suas folhas, frutos, cascas e raízes apresentam propriedades medicinais sendo utilizadas por indígenas e populações tradicionais como tônicos, purgantes, cicatrizantes e vomitório para tratar várias enfermidades como úlceras, diarreias, sífilis, etc. Os indígenas, a partir do fruto maduro, fazem tinta/corante de coloração escura e utilizam para pintura na pele em datas comemorativas. A planta inclusive aguenta encharcamento. O jenipapo é usado por muitas etnias da América do Sul como pintura corporal e some depois de aproximadamente duas semanas. No idioma tupi-guarani, o termo significa literalmente a "fruta que serve para pintar". A bela coloração azul-escura formada deve-se ao contacto da genipina contida nos frutos verdes com as proteínas da pele, sob ação do oxigênio atmosférico. A tinta de jenipapeiro era também usada pelos índios para defesa contra os maus espíritos. A pintura com jenipapo sempre estava presente nos ritos de nascimento, de passagens e funerários.

O fruto é uma baga subglobosa geralmente de cor amarelo-pardacenta. Sua polpa tem cheiro forte e é comestível, mas é mais apreciada na forma de compotas, doces, xaropes, bebida refrigerante, bebida vinosa e licor.

O licor de jenipapo é uma bebida apreciada em todo o Brasil, principalmente os licores feitos por minha irmã Isis Henriques de Athayde em Maceió feito com álcool de cereais, com a polpa natural e um pouco de açúcar. “Licor e Cia”.

Em 14 de setembro de 2026 - Grijalva

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A RAPOSA E AS UVAS

 

A fábula "A Raposa e as Uvas" é uma criação atribuída ao escritor grego Esopo e posteriormente reescrita por outros contadores de histórias, como Jean de La Fontaine,

Texto Original em Latim (Fedro, Livro IV, Fábula 3)

Fame coacta vulpes alta in vinea
uvam adpetebat, summis saliens viribus.
Quam tangere ut non potuit, discedens ait:
Nondum matura es; nolo acerbam sumere.
Qui, facere quae non possunt, verbis elevant,
adscribere hoc debebunt exemplum sibi.

A Raposa e as Uvas

Certa ocasião, uma raposa se encontravam morta de fome, pois estava sem comer há dias. Andava por um pomar quando avistou um belo cacho de uvas.

As uvas negras estavam muito viçosas, maduras e prontas para serem apreciadas. Percebendo que estava sozinha e que o caminho estava livre, aprontou-se para colher aqueles frutos.

Não poupou esforços ao tentar pegá-las, empregou todos os seus conhecimentos e habilidades. Ainda que estivessem fora de seu alcance, não cessou as tentativas.

Depois de tantas investidas fracassadas, além de faminta, agora ela estava exausta e desapontada. Sendo assim, suspirando, deu de ombros, finalmente dando-se por vencida.

Deu meia volta e foi embora. Desolada por conta das tentativas mal sucedidas, a raposa tentou consolar a si mesma dizendo “Na verdade, olhando com mais atenção, consigo perceber que todas as uvas estão estragadas, e não maduras, como elas aparentavam quando as vi pela primeira vez.”

Moral da história

Muitas pessoas tentam fingir que despreza aquilo que não consegue obter. A história serve para nos lembrar que devemos acatar e reconhecer quando falhamos, sem menosprezar aquilo que antes desejávamos, pra a gente não cair no ridículo como a história da raposa.

Fábulas são pequenas histórias que transmitem ensinamentos sobre a vida, pois abordam lições morais. A maior parte das fábulas expõe situações corriqueiras, típicas do dia-a-dia, mas são vivenciadas por animais.