O
ÚLTIMO NÚMERO - Augusto dos Anjos
(do livro Eu e Outras Poesias, 1920)
Hora
da minha morte. Hirta, ao meu lado,
A
Ideia estertorava-se... No fundo
Do
meu entendimento moribundo
Jazia
o último Número cansado.
Era
de vê-lo, imóvel, resignado,
Tragicamente
de si mesmo oriundo,
Fora
da sucessão, estranho ao mundo,
Com
o reflexo fúnebre do Incriado:
Bradei:
- Que fazes ainda no meu crânio?
E
o Último Número, atro e subterrâneo,
Parecia
dizer-me: "E tarde, amigo!
Pois
que a minha antogênica Grandeza
Nunca
vibrou em tua língua presa,
Não
te abandono mais! Morro contigo!
Agora comparem com esses versos escritos depois de morto e
psicografado pro Chico Xavier em 1932 no livro Parnaso de além Túmulo.
Sístoles
e diástoles derradeiras
No
hirto peito, rígido e gelado;
E
eu via o Último Número extenuado,
Estertorando
sobre as montureiras.
Interregno,
escuridão, ânsia e inferneiras;
Depois
o ar, o oxigênio eterizado,
E
depois do oxigênio o ilimitado
Resplendente
clarão de horas primeiras.
Busquei
a última visão das vistas foscas
O
Derradeiro Número entre as moscas,
À
camada telúrica adstrito;
E
eu, vítima dútil da desgraça,
Vi
que cada minuto que se passa
É
a nova luz do Número Infinito.
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