SOLOS
DO CARIRI PARAIBANO: CARACTERÍSTICAS, LIMITAÇÕES E POTENCIALIDADES PARA O USO
AGRÍCOLA NO SEMIÁRIDO
Grijalva Maracajá Henriques 1; Marcos Alves de Magalhães 2
1
Acadêmico
do curso de Engenharia Agronômica do Centro Universitário de Caratinga – UNEC
2
Professor
do UNEC
RESUMO
Os solos
do Cariri Paraibano desempenham papel fundamental no desenvolvimento das
atividades agropecuárias da região, especialmente no contexto do semiárido
brasileiro, onde as limitações edafoclimáticas influenciam diretamente a
produtividade agrícola. Este estudo teve como objetivo sistematizar o
conhecimento científico sobre as características, limitações e potencialidades
dos solos do Cariri Paraibano para o uso agrícola. A pesquisa foi desenvolvida
por meio de revisão bibliográfica de natureza qualitativa, com abordagem
analítica e sistematizada, utilizando artigos científicos, dissertações e
publicações técnicas disponíveis em bases como SciELO, Portal de Periódicos
CAPES e EMBRAPA. Os resultados evidenciaram o predomínio de classes de solos
como Neossolos, Cambissolos e Luvissolos, caracterizados, em geral, por baixa
profundidade efetiva, reduzido teor de matéria orgânica, limitações de
fertilidade e suscetibilidade à erosão. Verificou-se ainda que fatores como
clima semiárido, relevo e material de origem condicionam a variabilidade
espacial dos atributos físicos, químicos e morfológicos desses solos. A
literatura consultada destaca que práticas inadequadas de manejo podem
intensificar processos de degradação, enquanto estratégias conservacionistas, como
cobertura vegetal, plantio em nível, rotação de culturas e manejo adequado da
matéria orgânica, contribuem para a manutenção da qualidade do solo e para a
sustentabilidade dos sistemas produtivos. Conclui-se que o uso agrícola
sustentável dos solos do Cariri Paraibano depende da integração entre
conhecimento técnico-científico e práticas de manejo adaptadas às condições
ambientais da região, sendo fundamental para a conservação dos recursos
naturais e para o fortalecimento da agricultura familiar no semiárido.
Palavras-chave: Solos do
Cariri Paraibano; Semiárido; Uso agrícola; Manejo e conservação do solo;
Agricultura familiar.
ABSTRACT
The soils of the Cariri Paraibano region play
a fundamental role in the development of agricultural activities, especially
within the Brazilian semi-arid environment, where edaphoclimatic constraints
directly affect agricultural productivity. This study aimed to systematize the
scientific knowledge regarding the characteristics, limitations, and
potentialities of the soils of the Cariri Paraibano for agricultural use. The
research was conducted through a qualitative and analytical literature review,
based on scientific articles, dissertations, and technical publications
available in databases such as SciELO, CAPES Journals Portal, and EMBRAPA. The
results revealed the predominance of soil classes such as Entisols (Neossolos),
Inceptisols (Cambissolos), and Luvisols (Luvissolos), which are generally
characterized by shallow depth, low organic matter content, fertility
limitations, and high susceptibility to erosion. Furthermore, factors such as
the semi-arid climate, relief, and parent material were identified as key
determinants of the spatial variability of the physical, chemical, and
morphological properties of these soils. The reviewed literature indicates that
inadequate management practices may intensify degradation processes, whereas
conservation strategies such as permanent soil cover, contour farming, crop
rotation, and proper organic matter management contribute to maintaining soil
quality and promoting the sustainability of agricultural systems. It is
concluded that the sustainable agricultural use of the soils of the Cariri
Paraibano depends on the integration of technical and scientific knowledge with
management practices adapted to local environmental conditions, being essential
for the conservation of natural resources and the strengthening of family
farming in the semi-arid region.
Keywords: Cariri Paraibano soils;
Semi-arid region; Agricultural use; Soil management and conservation; Family
farming.
1. INTRODUÇÃO
Os
solos constituem um dos principais recursos naturais para o desenvolvimento das
atividades agropecuárias, desempenhando papel fundamental na produção de
alimentos, na regulação ambiental e na sustentabilidade dos sistemas agrícolas
(LEPSCH, 2011). Em regiões semiáridas, como o Nordeste brasileiro, o
conhecimento das características do solo torna-se ainda mais relevante, uma vez
que as condições edafoclimáticas, marcadas por baixa disponibilidade hídrica e
alta variabilidade climática, impõem limitações significativas ao uso agrícola
(FAO, 2015).
Nesse
contexto, o Cariri Paraibano destaca-se como uma região inserida no semiárido,
caracterizada por condições ambientais específicas que influenciam diretamente
a dinâmica dos solos e as práticas agrícolas. De modo geral, os solos dessa
região apresentam limitações naturais, como baixa profundidade, pedregosidade,
restrições de fertilidade e suscetibilidade à degradação, fatores que exigem
estratégias adequadas de manejo e conservação para garantir a sustentabilidade
produtiva (ARAUJO FILHO et al., 2020; CAVALCANTE, 2023; EMBRAPA, 2014).
Apesar dessas limitações, os solos do Cariri
Paraibano são amplamente utilizados em atividades agropecuárias, especialmente
no âmbito da agricultura familiar, desempenhando papel relevante na
subsistência das populações locais e na economia regional. No entanto, as
informações científicas sobre esses solos encontram-se dispersas em diferentes
estudos, muitas vezes abordando aspectos isolados, o que dificulta a construção
de uma visão integrada sobre suas características, potencialidades e restrições
ao uso agrícola (CAVALCANTE, 2023; SARAIVA et al., 2020).
Diante desse cenário, emerge a seguinte questão de
pesquisa: como o conhecimento científico disponível sobre os solos do Cariri
Paraibano pode ser sistematizado, de forma a subsidiar o uso agrícola em
condições de semiárido? A ausência dessa sistematização pode contribuir para a
adoção de práticas inadequadas de manejo, intensificando processos de
degradação e comprometendo a sustentabilidade dos sistemas produtivos.
Nesse sentido, a realização de uma revisão
bibliográfica se justifica pela necessidade de estudos de revisão,
capazes de integrar e sistematizar o conhecimento disponível sobre a região
(GONÇALVES, 2019), reunindo, analisando
e integrando os estudos existentes sobre os solos da região, possibilitando uma
compreensão mais abrangente de suas características e limitações.
Além disso, a sistematização dessas informações
contribuiu para a identificação de práticas de manejo mais adequadas às
condições locais.
Assim, o presente estudo teve como objetivo
sistematizar o conhecimento científico sobre os solos do Cariri Paraibano, com
ênfase em suas características, limitações e implicações para o uso agrícola no
contexto do semiárido.
2. OBJETIVO
2.1
Objetivo Geral
Sistematizar, por meio de revisão bibliográfica, o
conhecimento científico que aborda as características e limitações dos solos do
Cariri Paraibano, com enfoque no uso agrícola em condições de semiárido.
2.2
Objetivos Específicos
·
Identificar, na literatura científica, os
principais estudos que tratam dos solos do Cariri Paraibano;
·
Caracterizar, com base nesses estudos, as
principais classes de solos presentes na região;
·
Descrever as características físicas,
químicas e morfológicas dos solos do Cariri Paraibano relacionadas ao uso
agrícola;
·
Analisar as limitações e as práticas de
manejo e conservação do solo indicadas para as condições do semiárido no Cariri
Paraibano.
3. JUSTIFICATIVA
Entretanto,
os solos da região apresentam limitações naturais que restringem seu potencial
produtivo, destacando-se a baixa profundidade efetiva, a reduzida
disponibilidade hídrica, as restrições de fertilidade e a suscetibilidade aos
processos de degradação. Tais características exigem o emprego de práticas
adequadas de manejo e conservação, visando à manutenção da qualidade do solo e
à sustentabilidade dos sistemas produtivos (RESENDE et al., 2014; LEPSCH, 2011;
EMBRAPA, 2014).
Embora
existam diversos estudos sobre os solos do semiárido nordestino, as informações
referentes ao Cariri Paraibano encontram-se dispersas em diferentes
publicações, abordando aspectos específicos da pedologia, da relação
solo-paisagem e do uso agrícola. Essa fragmentação dificulta a compreensão
integrada das características, limitações e potencialidades dos solos da
região, reduzindo a disponibilidade de informações sistematizadas que possam
subsidiar ações de manejo e planejamento agrícola (CAVALCANTE, 2023; SARAIVA et
al., 2020).
Dessa
forma, justifica-se a realização desta revisão bibliográfica, cuja finalidade é
reunir, organizar e analisar criticamente o conhecimento científico disponível
sobre os solos do Cariri Paraibano. A sistematização dessas informações poderá
contribuir para a compreensão das condições edáficas da região, subsidiar
práticas de manejo mais adequadas ao ambiente semiárido e servir de base para
futuras pesquisas relacionadas ao uso sustentável dos recursos naturais
(GONÇALVES, 2019).
4. FUNDAMENTAÇÃO
TEÓRICA
4.1 O Semiárido Brasileiro e o Cariri Paraibano
O semiárido brasileiro ocupa grande parte da região
Nordeste e caracteriza-se por apresentar precipitações irregulares, elevadas
taxas de evapotranspiração e frequentes períodos de estiagem. Essas condições
influenciam diretamente os processos de formação dos solos, a disponibilidade
hídrica e o desenvolvimento das atividades agropecuárias (FAO, 2015; EMBRAPA,
2023). O Cariri Paraibano está inserido nesse contexto ambiental e apresenta
características climáticas e geomorfológicas particulares que condicionam a
distribuição e a evolução dos solos. A combinação entre clima semiárido, relevo
e material de origem resulta em elevada variabilidade pedológica, influenciando
a aptidão agrícola e as estratégias de manejo adotadas na região (CAVALCANTE,
2023).
4.2 Formação e Classificação dos Solos
O solo é um corpo natural resultante da interação
entre clima, organismos, relevo, material de origem e tempo. Esses fatores
atuam conjuntamente nos processos pedogenéticos responsáveis pela formação e
diferenciação dos solos (LEPSCH, 2011). No Brasil, a classificação dos solos é
realizada por meio do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS),
desenvolvido pela EMBRAPA. Esse sistema permite identificar e caracterizar as
diferentes classes de solos a partir de atributos morfológicos, físicos, químicos
e mineralógicos (EMBRAPA, 2023). No Cariri Paraibano predominam classes como
Neossolos, Cambissolos e Luvissolos, cuja ocorrência está relacionada às
condições climáticas e geológicas da região. Essas classes apresentam
diferentes potenciais e limitações para o uso agrícola (SARAIVA et al., 2020;
CAVALCANTE, 2023).
4.3 Principais Classes de Solos do Cariri Paraibano
Os Neossolos constituem uma das classes mais
representativas da região, caracterizando-se pelo reduzido desenvolvimento
pedogenético, pequena profundidade efetiva e frequente presença de fragmentos
rochosos. Essas características limitam o armazenamento de água e o
desenvolvimento radicular das culturas agrícolas (EMBRAPA, 2023). Os
Cambissolos apresentam estágio intermediário de desenvolvimento, maior
profundidade em relação aos Neossolos e potencial agrícola moderado, embora
ainda apresentem limitações relacionadas à fertilidade e à susceptibilidade à
erosão (RESENDE et al., 2014). Os Luvissolos destacam-se por apresentarem maior
fertilidade natural e maior saturação por bases, sendo considerados importantes
para a agricultura regional. Entretanto, podem apresentar limitações
relacionadas à profundidade efetiva e à susceptibilidade à erosão quando
submetidos a manejo inadequado (ARAUJO FILHO et al., 2020).
4.4 Características Físicas, Químicas e Morfológicas dos Solos
As propriedades físicas do solo influenciam
diretamente a infiltração de água, a retenção de umidade e o desenvolvimento
das raízes. Entre os principais atributos físicos destacam-se textura,
estrutura, densidade e porosidade (LEPSCH, 2011). As propriedades químicas
relacionam-se à fertilidade do solo e à disponibilidade de nutrientes para as
plantas. Em ambientes semiáridos, é comum a ocorrência de baixos teores de
matéria orgânica e limitações nutricionais que exigem práticas adequadas de
correção e adubação (RESENDE et al., 2014). As características morfológicas
compreendem aspectos observados diretamente no perfil do solo, como
profundidade, cor, espessura dos horizontes e presença de material rochoso.
Esses atributos auxiliam na interpretação do comportamento dos solos e de sua
aptidão agrícola (EMBRAPA, 2023).
4.5 Limitações dos Solos para o Uso Agrícola no Semiárido
Os solos do
semiárido apresentam limitações relacionadas à baixa disponibilidade hídrica,
reduzida profundidade efetiva, baixa fertilidade natural e elevada
vulnerabilidade aos processos erosivos. Essas restrições podem comprometer a
produtividade agrícola e favorecer processos de degradação ambiental quando não
são adotadas práticas adequadas de manejo (FAO, 2015; EMBRAPA, 2014). Além
disso, a remoção da cobertura vegetal e o uso intensivo do solo contribuem para
a perda de matéria orgânica, compactação e desertificação em áreas mais
vulneráveis do semiárido nordestino (SILVA et al., 2020).
4.6 Manejo e Conservação dos Solos no Semiárido
A adoção de práticas conservacionistas é
fundamental para a sustentabilidade dos sistemas agrícolas em regiões
semiáridas. Entre as principais estratégias destacam-se a manutenção da
cobertura vegetal, o plantio em nível, a rotação de culturas, o uso de adubação
orgânica e o manejo adequado dos recursos hídricos (LEPSCH, 2011). Estudos
desenvolvidos no semiárido paraibano demonstram que essas práticas contribuem
para aumentar a infiltração de água, reduzir a erosão e melhorar a qualidade
física e química dos solos, favorecendo a sustentabilidade da produção agrícola
(SOUSA et al., 2022; MACEDO et al., 2023). ## 4.7 Importância da Sistematização
do Conhecimento Científico Apesar do avanço das pesquisas sobre os solos do
semiárido, os estudos relacionados ao Cariri Paraibano permanecem dispersos em
diferentes áreas do conhecimento. Nesse contexto, as revisões bibliográficas
desempenham papel importante na organização e síntese das informações
disponíveis, contribuindo para a construção de uma visão integrada sobre as
características, limitações e potencialidades dos solos da região (GONÇALVES,
2019).
5. METODOLOGIA
A presente pesquisa caracterizou-se como uma revisão
bibliográfica de natureza qualitativa, com abordagem analítica e caráter
sistematizado, voltada à organização e
interpretação do conhecimento científico sobre os solos do Cariri Paraibano,
considerando suas características, limitações e implicações para o uso agrícola
no semiárido.
A coleta de dados foi realizada por meio de
levantamento em bases de dados científicas e repositórios institucionais,
incluindo SciELO, Portal de Periódicos CAPES e publicações da
EMBRAPA. Foram utilizados descritores
combinados em português e inglês, tais como: “solos do Cariri Paraibano”,
“semiárido brasileiro”, “soil management semi-arid”, “soil
conservation semi-arid”, aplicando-se operadores booleanos (AND) para refinamento.
As buscas foram delimitadas ao período de 2020 a
2025, com o objetivo de priorizar estudos recentes relacionados aos solos do
semiárido e ao contexto do Cariri Paraibano. Entretanto, também foram incluídas referências
clássicas e documentos técnico-científicos anteriores ao recorte temporal
definido, devido à sua relevância para a fundamentação teórica e consolidação
conceitual.
Durante o processo de levantamento bibliográfico, foram
aplicados filtros relacionados ao período de publicação, idioma e temática dos
estudos. Contudo, em algumas bases de dados, especialmente na EMBRAPA, observou-se
elevado número de resultados, o que exigiu a estratégia de refinamento
progressivo das buscas, com aplicação
de filtros adicionais por temática e palavras-chave mais específicas, de
modo a reduzir o volume de publicações e aumentar a aderência ao objeto de
estudo.
Na plataforma SciELO, foram encontrados 36 trabalhos
relacionados aos descritores utilizados. No portal de Periódicos CAPES,
utilizando o descritor “solos do Cariri AND semiárido”, foram identificados 2
trabalhos, enquanto o descritor “semiárido brasileiro” apresentou 4 resultados
relacionados à temática proposta. Já na base de publicações da EMBRAPA, os
descritores utilizados retornaram aproximadamente 544 resultados gerais
associados aos temas “solo” e “semiárido”, sendo aplicado, diante desse volume elevado,
um filtro adicional “EMBRAPA Semiárido”, o que permitiu refinar a busca e
reduzir o total para 97 artigos.
A triagem dos estudos foi realizada em duas etapas
sequenciais.
Na primeira etapa, os trabalhos foram selecionados com base na leitura dos
títulos, com o objetivo de identificar sua aderência inicial ao tema proposto.
Na segunda etapa, os estudos potencialmente relevantes foram submetidos à
leitura dos resumos, permitindo uma avaliação mais detalhada da sua
compatibilidade com os objetivos
da pesquisa, especialmente no que se refere às características dos solos do
Cariri Paraibano e às condições edafoclimáticas do semiárido nordestino. Após essa etapa, os trabalhos considerados
relevantes foram analisados de forma mais detalhada, permitindo a organização
das informações conforme os eixos temáticos definidos no estudo.
Como critérios de inclusão, foram considerados: i)
estudos publicados entre 2020 e 2025; (ii) artigos científicos disponíveis em
repositórios institucionais; (iii) trabalhos que abordem diretamente os solos
do Cariri Paraibano ou regiões com características edafoclimáticas semelhantes;
(iv) estudos que tratem de atributos físicos, químicos, morfológicos ou
práticas de manejo e conservação do solo.
Foram excluídos:
(i) estudos sem rigor científico comprovado; (ii) publicações não disponíveis
na íntegra; (iii) trabalhos que não apresentem relação direta com o tema
proposto ou com os descritores definidos.
Os estudos selecionados foram organizados em
planilha eletrônica contendo informações como: autor, ano, local de estudo,
objetivos, classes de solo identificadas, atributos analisados, limitações
apontadas e práticas de manejo recomendadas. Essa organização permitiu a
sistematização dos dados e facilitou a análise comparativa entre os estudos.
Além disso, foi realizada a verificação e exclusão de possíveis duplicidades
entre as bases de dados consultadas, considerando que um mesmo artigo pode
estar indexado em diferentes repositórios. Esse procedimento de remoção de
duplicados garantiu maior precisão na composição do corpus final, evitando a
contagem repetida de um mesmo estudo.
A análise dos dados foi conduzida por meio de leitura
crítica e análise de conteúdo, com
categorização das informações em eixos temáticos, tais como: classes de solos,
propriedades físico-químicas, limitações ao uso agrícola e práticas de manejo.
Essa abordagem permitiu identificar padrões, convergências e divergências no
conhecimento científico disponível.
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO
6.1 Processo de seleção e refinamento do corpus documental
O processo de seleção dos estudos seguiu um fluxo
sistematizado de identificação, triagem e elegibilidade, com o objetivo de
assegurar a aderência do corpus às finalidades da presente pesquisa. Foram
identificados 36 trabalhos na base SciELO, sendo posteriormente selecionados 25
artigos considerados diretamente pertinentes após a leitura dos títulos.
No Portal de Periódicos CAPES, devido ao baixo
número de estudos diretamente relacionados aos descritores aplicados, todos os
trabalhos recuperados foram inicialmente considerados elegíveis para análise.
Posteriormente, esses estudos foram avaliados quanto à aderência ao tema, sendo
mantidos em seguida. Na base da EMBRAPA, após aplicação de refinamento
adicional com o filtro “EMBRAPA Semiárido”, obteve-se um total de 97 artigos,
dos quais 37 foram selecionados para a composição do corpus final. Ao final do
processo de triagem e seleção, o corpus final da pesquisa foi composto por 68
estudos, reunindo as bases SciELO, CAPES e EMBRAPA.
A etapa de triagem foi conduzida prioritariamente
por meio da leitura dos títulos, adotada como critério inicial de
elegibilidade, uma vez que permite identificar, de forma objetiva e eficiente,
a aderência temática das publicações ao escopo da pesquisa, especialmente no
que se refere aos solos do Cariri Paraibano, e às condições edafoclimáticas do
semiárido nordestino. Esse procedimento possibilitou a exclusão de estudos cujo
foco não apresentava a relação direta com os eixos analíticos definidos, assegurando
maior precisão e coerência ao conjunto final de trabalhos analisados.
A adoção do título como primeiro filtro de triagem
se justifica pela sua função de síntese temática nas bases científicas
consultadas, permitindo uma avaliação preliminar objetiva da pertinência dos
estudos em relação ao escopo da pesquisa. Considerando o elevado volume de
publicações em determinadas bases, especialmente na EMBRAPA, essa estratégia
possibilitou a redução inicial do universo amostral sem comprometer a
representatividade temática, garantindo que apenas os trabalhos com maior
convergência com os descritores definidos fossem encaminhados para a etapa de
leitura de resumos e análise detalhada. Dessa forma, o procedimento adotado assegura
rigor metodológico, reprodutibilidade da busca e coerência na construção do
corpus final de análise, alinhando-se aos princípios de sistematização exigidos
em revisões bibliográficas de natureza qualitativa e analítica.
6.2 Identificação dos principais estudos sobre os solos do Cariri
Paraibano
A literatura científica voltada aos solos do Cariri
Paraibano evidencia um conjunto relativamente diversificado de pesquisas que
buscam compreender as características pedológicas, a relação solo-paisagem e os
impactos do uso agrícola em condições de semiárido. De modo geral, observa-se
que os estudos existentes não se concentram em uma única abordagem, mas se
distribuem entre investigações de caráter descritivo, analítico e aplicado,
refletindo a complexidade ambiental da região.
Segundo Saraiva et al. (2020), os estudos
desenvolvidos no semiárido paraibano demonstram que a variabilidade dos solos
está diretamente associada às condições climáticas e ao material de origem,
influenciando fortemente os processos de formação e evolução pedológica.
Araujo Filho et al. (2020) destacam ainda que os
ambientes do Cariri Paraibano apresentam elevada diversidade de atributos
físicos e mineralógicos, fator que dificulta generalizações sobre o
comportamento dos solos da região.
Parte
significativa da produção científica sobre a área está relacionada a estudos
pedológicos e de classificação dos solos, nos quais são identificadas e
descritas as principais classes presentes na região, como Neossolos,
Cambissolos e Luvissolos, cujas características refletem a influência do clima
semiárido, do relevo e do material de origem sobre os processos de formação dos
solos da região (CAVALCANTE, 2023; ARAUJO FILHO et al., 2020; EMBRAPA, 2023).
Esses
estudos evidenciam a elevada heterogeneidade espacial dos solos do Cariri
Paraibano, condicionada principalmente pela interação entre material de origem,
relevo, clima e processos pedogenéticos. Como consequência, ocorrem variações
significativas nos atributos físicos, químicos e mineralógicos dos solos ao
longo da paisagem, influenciando diretamente sua aptidão agrícola e
comportamento frente ao manejo. Essa diversidade reforça a necessidade de
avaliações em escala local, uma vez que solos situados em áreas relativamente
próximas podem apresentar características e limitações distintas (CAVALCANTE,
2023; ARAUJO FILHO et al., 2020; ALVES et al., 2025).
Nesse contexto, Saraiva et al. (2020, p.4429),
afirmam que “as alterações nos índices de precipitação foram determinantes na
formação dos Luvissolos”, evidenciando a influência direta das condições climáticas
sobre a constituição dos solos do semiárido paraibano. Esses autores também
ressaltam que os Luvissolos presentes na Paraíba possuem elevado potencial
agrícola, embora apresentem limitações relacionadas à profundidade e
suscetibilidade à erosão.
Outro
conjunto de pesquisas tem enfatizado a relação entre solo e paisagem,
destacando a influência da posição topográfica sobre os processos de formação,
desenvolvimento e distribuição dos solos no Cariri Paraibano. Estudos
realizados na região demonstram que áreas situadas em posições mais elevadas e
com maior declividade tendem a apresentar solos mais rasos, pedregosos e com
menor grau de desenvolvimento pedogenético. Em contrapartida, posições mais
baixas da paisagem favorecem o acúmulo de sedimentos mais finos e nutrientes,
resultando, em determinados casos, em solos com maior profundidade e potencial
agrícola (CAVALCANTE, 2023; RESENDE et al., 2014).
Essa abordagem tem contribuído para a compreensão
dos processos de formação do solo na região e para a interpretação da
variabilidade edáfica observada no semiárido. Araujo Filho et al. (2020)
observam que a dinâmica de formação dos solos no semiárido paraibano sofre
influência direta das condições do relevo e da distribuição irregular das
chuvas, fatores que condicionam diferenças importantes no desenvolvimento pedogenético.
Além dos estudos pedológicos,
observa-se uma produção científica expressiva voltada à avaliação dos impactos
do uso da terra sobre a qualidade dos solos no semiárido. De modo geral, essas
pesquisas demonstram que a substituição da vegetação nativa por sistemas
agrícolas e pecuários, associada ao manejo inadequado do solo, favorece
processos de degradação física, química e biológica, incluindo erosão,
compactação, redução dos teores de matéria orgânica e perda da capacidade
produtiva dos ambientes agrícolas (SILVA et al., 2020; MACEDO et al., 2023;
LEPSCH, 2011).
Em
áreas onde predomina a agricultura familiar, os impactos da degradação dos
solos assumem maior relevância, uma vez que afetam diretamente a produtividade
agrícola, a geração de renda e a segurança alimentar das populações rurais
(IBGE, 2017). Nesse contexto, estudos desenvolvidos no semiárido nordestino
indicam que a remoção da cobertura vegetal e a adoção de práticas inadequadas
de manejo favorecem a intensificação dos processos erosivos, a perda de matéria
orgânica e o avanço da degradação ambiental, reduzindo a capacidade produtiva
dos solos ao longo do tempo (SILVA et al., 2020; EMBRAPA, 2020).
Já Saraiva et al (2021, p.159) destacam que “os
teores de argila aumentaram solo da zona muito seca para a subúmida”,
demonstrando como as variações ambientais e climáticas interferem diretamente
nas propriedades físicas dos solos do semiárido. Essas alterações influenciam a
dinâmica da água no solo, a suscetibilidade à erosão e o potencial agrícola das
áreas estudadas.
De
modo geral, a produção científica relacionada aos solos do Cariri Paraibano tem
sido desenvolvida principalmente por instituições de ensino superior e centros
de pesquisa com atuação no semiárido nordestino. Os estudos empregam diferentes
abordagens metodológicas, incluindo levantamentos pedológicos de campo,
análises físico-químicas e mineralógicas, estudos de relação solo-paisagem e
técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto. Essa diversidade
metodológica tem contribuído para ampliar o conhecimento sobre a distribuição,
as características e as limitações dos solos da região, fornecendo subsídios
para o planejamento do uso agrícola e para a conservação dos recursos naturais
(CAVALCANTE, 2023; SILVA et al., 2020; ARAUJO FILHO et al., 2020).
Conforme apontam Saraiva et al. (2020), o
aprofundamento dos estudos pedológicos no semiárido é fundamental para
subsidiar práticas de manejo mais adequadas às limitações ambientais da região.
Nesse sentido, a integração das diferentes pesquisas produzidas entre 2020 e
2025 pode contribuir significativamente para o planejamento agrícola e para a
conservação dos solos do Cariri Paraibano.
Assim,
observa-se que, embora a literatura apresente contribuições relevantes para o
entendimento dos solos do Cariri Paraibano, os estudos disponíveis permanecem
dispersos em diferentes linhas de investigação, contemplando aspectos
específicos da pedologia, da relação solo-paisagem, da degradação ambiental e
do manejo agrícola. Essa fragmentação dificulta a construção de uma visão
integrada sobre as características, limitações e potencialidades dos solos da
região, reforçando a importância de estudos de revisão capazes de reunir,
organizar e sintetizar o conhecimento científico existente para subsidiar
práticas de manejo mais sustentáveis em ambientes semiáridos (CAVALCANTE, 2023;
SARAIVA et al., 2020; GONÇALVES, 2019).
6.3 Caracterização das principais classes de solos do Cariri Paraibano
A
literatura pedológica referente ao Cariri Paraibano demonstra que a região
apresenta elevada diversidade de classes de solos, resultante da interação
entre os fatores de formação, especialmente clima semiárido, relevo, material
de origem e tempo de atuação dos processos pedogenéticos. De modo geral,
predominam solos jovens e pouco desenvolvidos, como os Neossolos, além de
Cambissolos e, em determinadas posições da paisagem, classes com maior grau de
desenvolvimento pedogenético. Essa variabilidade reflete a complexidade
ambiental da região e influencia diretamente as potencialidades e limitações
para o uso agrícola (CAVALCANTE, 2023; EMBRAPA, 2023; RESENDE et al., 2014).
Segundo Alves et al. (2025), a variabilidade dos
atributos físicos e químicos em áreas do semiárido está diretamente associada
às condições ambientais locais e ao uso da terra, especialmente relevo,
fertilidade e características do material de origem, o que explica a forte
heterogeneidade pedológica da região.
Os
Neossolos constituem uma das classes de solos mais frequentes no Cariri
Paraibano, caracterizando-se pelo reduzido desenvolvimento pedogenético, baixa
profundidade efetiva e ocorrência frequente de fragmentos rochosos próximos à
superfície. Essas condições limitam a capacidade de retenção de água e o
aprofundamento do sistema radicular das plantas, reduzindo o potencial agrícola
em condições de deficiência hídrica. Além disso, sua ocorrência em áreas de
relevo mais movimentado aumenta a vulnerabilidade aos processos erosivos,
sobretudo quando há remoção da cobertura vegetal e adoção de práticas
inadequadas de manejo do solo (EMBRAPA, 2023; RESENDE et al., 2014; LEPSCH,
2011; SILVA et al., 2020).
Nesse sentido, Sousa et al. (2022) destacam que
áreas degradadas do Cariri Paraibano apresentam redução significativa da
infiltração de água no solo, aumentando o escoamento superficial e a
vulnerabilidade à erosão.
Os
Cambissolos constituem uma importante classe de solos no Cariri Paraibano,
caracterizando-se por apresentarem estágio intermediário de desenvolvimento
pedogenético. Em comparação aos Neossolos, geralmente possuem maior
profundidade efetiva e melhor estruturação do perfil, podendo oferecer
condições mais favoráveis ao desenvolvimento das culturas agrícolas. Contudo,
ainda podem apresentar limitações relacionadas à fertilidade natural, à
profundidade variável e à suscetibilidade à erosão, dependendo das condições de
relevo e manejo. Sua ocorrência é frequentemente associada a áreas de relevo
suave ondulado a ondulado, onde há maior acúmulo de material intemperizado e
evolução mais avançada dos processos de formação do solo (EMBRAPA, 2023;
RESENDE et al., 2014; CAVALCANTE, 2023).
Saraiva et al. (2021), destacam que a relação entre
relevo, material de origem e distribuição de chuvas influencia diretamente o
desenvolvimento pedogenético dos solos do semiárido paraibano, sendo comum a
ocorrência de solos mais rasos declividade e solos mais desenvolvidos em
superfícies mais estáveis da paisagem.
Em
posições mais estáveis da paisagem podem ocorrer solos com maior grau de
desenvolvimento pedogenético, nos quais processos como lixiviação,
diferenciação de horizontes e acúmulo de argila em subsuperfície tornam-se mais
evidentes. Entretanto, mesmo nesses ambientes, as limitações impostas pelo
clima semiárido permanecem relevantes, destacando-se os baixos teores de
matéria orgânica, a reduzida disponibilidade hídrica e a elevada variabilidade
das precipitações, fatores que condicionam a fertilidade do solo e influenciam
diretamente o desempenho das atividades agrícolas (EMBRAPA, 2023; RESENDE et
al., 2014; FAO, 2015; MACEDO et al., 2023)
Macedo et al. (2023) observam que, mesmo em solos
com diferentes usos no semiárido paraibano, a limitação hídrica e os baixos
teores de matéria orgânica permanecem como fatores determinantes da
produtividade agrícola.
De
maneira geral, a distribuição das classes de solos no Cariri Paraibano está
diretamente associada à interação entre os fatores de formação do solo,
especialmente relevo, clima, material de origem, organismos e tempo de atuação
dos processos pedogenéticos. Essa interação condiciona elevada variabilidade
espacial dos atributos físicos, químicos e morfológicos dos solos,
influenciando características como profundidade efetiva, fertilidade natural,
drenagem, retenção de água e aptidão agrícola. Dessa forma, a compreensão da
relação entre solo e paisagem torna-se fundamental para o planejamento do uso
sustentável das terras na região semiárida (LEPSCH, 2011; RESENDE et al., 2014;
CAVALCANTE, 2023).
Dessa
forma, o planejamento do uso da terra deve considerar as características
específicas de cada ambiente, visando à adoção de práticas de manejo
compatíveis com as limitações e potencialidades de cada classe de solo (LEPSCH,
2011; CAVALCANTE, 2023; EMBRAPA, 2023).
6.4
Características físicas, químicas e morfológicas dos solos do Cariri Paraibano
relacionadas ao uso agrícola
A literatura científica sobre os solos do Cariri
Paraibano indica que suas características físicas, químicas e morfológicas
estão diretamente relacionadas às limitações impostas pelo ambiente semiárido,
influenciando de forma decisiva seu potencial de uso agrícola. Observa-se que
esses solos apresentam forte variabilidade espacial, baixa profundidade efetiva
em muitas áreas e elevada influência do material de origem, o que resulta em
diferentes níveis de aptidão agrícola dentro da mesma região (CAVALCANTE,
2023; ARAUJO FILHO et al., 2020; EMBRAPA, 2023).
Sob
o aspecto físico, os solos do Cariri Paraibano apresentam grande variabilidade
textural, predominando, em diversas áreas, materiais de textura média a
arenosa, especialmente associados aos Neossolos. Essas características
favorecem elevada permeabilidade e rápida drenagem da água, resultando em menor
capacidade de retenção hídrica, condição que representa uma importante
limitação ao uso agrícola em ambientes semiáridos. Por outro lado, solos com
maiores teores de argila, frequentemente associados a Cambissolos e a classes
mais desenvolvidas, tendem a apresentar maior capacidade de armazenamento de
água. Contudo, mesmo nesses casos, fatores como reduzida profundidade efetiva,
relevo e suscetibilidade à erosão podem restringir seu potencial produtivo (EMBRAPA,
2023; RESENDE et al., 2014; SILVA et al., 2021).
Silva et al. (2021), ao analisar propriedades
físicas de solos sob uso agrícola no semiárido paraibano, destaca que a
estrutura do solo e sua capacidade de retenção hídrica são fortemente
influenciadas pelo manejo adotado, especialmente em áreas de agricultura
familiar.
Em
relação aos atributos químicos, os solos do Cariri Paraibano tendem a
apresentar limitações associadas aos baixos teores de matéria orgânica e à
reduzida disponibilidade de nutrientes essenciais ao desenvolvimento vegetal.
Essas características estão relacionadas às condições climáticas do semiárido,
marcadas por elevadas temperaturas e irregularidade das precipitações, fatores
que reduzem o acúmulo de resíduos orgânicos no solo e favorecem a rápida
mineralização da matéria orgânica. Em consequência, a manutenção da
produtividade agrícola frequentemente requer práticas de correção da
fertilidade e manejo nutricional adequadas, especialmente em sistemas de
cultivo mais intensivos (RESENDE et al., 2014; EMBRAPA, 2014; FAO, 2015; MACEDO
et al., 2023).
Estudos de Macedo et al. (2023) evidenciam que a
baixa fertilidade dos solos do Cariri Paraibano está relacionada principalmente
aos baixos teores de carbono orgânico e à limitada disponibilidade de
nutrientes como fósforo e nitrogênio.
As características morfológicas também desempenham
papel importante na compreensão do comportamento desses solos. Em muitos casos,
observa-se a presença de perfis pouco desenvolvidos, com horizontes rasos e
transições pouco definidas, principalmente em áreas de relevo mais acidentado.
A proximidade do material rochoso em alguns perfis limita o desenvolvimento
radicular e restringe o armazenamento de água, impactando diretamente o
crescimento das culturas agrícolas. (EMBRAPA, 2020).
A
análise integrada dos atributos físicos, químicos e morfológicos evidencia que
o uso agrícola dos solos do Cariri Paraibano deve considerar suas limitações
naturais e sua vulnerabilidade aos processos de degradação. Estudos indicam que
práticas inadequadas de manejo podem intensificar fenômenos como erosão,
compactação, perda de nutrientes e redução da matéria orgânica, comprometendo
progressivamente a qualidade e a capacidade produtiva dos solos. Em
contrapartida, a adoção de práticas conservacionistas e de manejo adequado
favorece a manutenção da fertilidade, da estrutura do solo e da disponibilidade
hídrica, possibilitando a sustentabilidade das atividades agrícolas,
especialmente nos sistemas de agricultura familiar predominantes na região
semiárida (LEPSCH, 2011; EMBRAPA, 2022; SOUSA et al., 2022; IBGE, 2017).
Observa-se
na literatura que a compreensão integrada dessas características é fundamental
para orientar o uso sustentável dos solos na região semiárida. Nesse sentido,
autores da área de ciências do solo destacam que a avaliação conjunta dos
atributos físicos, químicos e morfológicos é essencial para a definição do
potencial agrícola e das limitações de uso, especialmente em ambientes com
elevada fragilidade ambiental, como o semiárido nordestino (RESENDE et al.,
2014; LEPSCH, 2011; EMBRAPA, 2023).
A Embrapa (2022) reforça que a qualidade do solo
deve ser analisada de forma sistemática, considerando a interação entre
propriedades físicas, químicas e biológicas, uma vez que esses fatores
influenciam diretamente a produtividade e a sustentabilidade dos sistemas
agrícolas.
6.5
Análise das limitações e práticas de manejo e conservação dos solos do
semiárido no Cariri Paraibano
A
literatura científica sobre os solos do semiárido brasileiro demonstra que a
sustentabilidade dos sistemas agrícolas depende diretamente do conhecimento das
limitações edafoclimáticas e da adoção de estratégias de manejo compatíveis com
as condições ambientais da região. Fatores como irregularidade das
precipitações, elevada evapotranspiração, baixa fertilidade natural e
susceptibilidade à degradação tornam indispensável a utilização de práticas
conservacionistas voltadas à manutenção da qualidade do solo e da produtividade
agrícola ao longo do tempo (FAO, 2015; LEPSCH, 2011; EMBRAPA, 2014).
No contexto do Cariri Paraibano, essas limitações
tornam-se mais evidentes devido à combinação entre baixa pluviosidade, elevada
evapotranspiração e predominância de solos rasos e de baixa fertilidade
natural. Nesse sentido, Macedo et al (2021) destacam que a fragilidade
ambiental do semiárido está diretamente associada à baixa capacidade de suporte
dos solos e à elevada vulnerabilidade dos sistemas produtivos frente ao uso
agrícola contínuo.
A
literatura evidencia que uma das principais limitações ao uso agrícola dos
solos do semiárido está relacionada à elevada suscetibilidade à erosão hídrica.
Esse processo é intensificado pela remoção da cobertura vegetal, pela exposição
da superfície do solo e pela adoção de práticas de manejo inadequadas, fatores
que favorecem o escoamento superficial, a perda de partículas do solo e a
redução progressiva da sua capacidade produtiva (LEPSCH, 2011; SILVA et al.,
2020; SOUSA et al., 2022).
Segundo a Embrapa (2022), ambientes semiáridos
apresentam alta suscetibilidade à degradação quando submetidos ao uso intensivo
sem práticas conservacionistas, o que pode levar à perda progressiva de matéria
orgânica e redução da capacidade produtiva do solo. Silva et al. (2020)
reforçam que a retirada da cobertura vegetal em áreas do semiárido intensifica
significativamente os processos erosivos, favorecendo a degradação física do
solo e a perda de sua funcionalidade agrícola.
Nesse
contexto, a literatura especializada recomenda a adoção de práticas
conservacionistas como plantio em nível, manutenção de cobertura vegetal
permanente, utilização de adubação orgânica e manejo adequado dos resíduos
culturais como estratégias essenciais para a conservação dos solos em ambientes
semiáridos. A cobertura do solo desempenha papel fundamental na redução do
impacto das gotas de chuva sobre a superfície, contribuindo para a diminuição
do escoamento superficial, da erosão hídrica e da perda de nutrientes, além de
favorecer a infiltração e o armazenamento de água no perfil do solo (LEPSCH,
2011; EMBRAPA, 2022; SOUSA et al., 2022).
Sousa et al. (2022) evidenciam que áreas com maior
cobertura superficial no Cariri Paraibano apresentam melhor infiltração de água
e menor suscetibilidade ao escoamento superficial, contribuindo para a
conservação dos solos.
Além
disso, pesquisas recentes desenvolvidas em ambientes semiáridos demonstram que
sistemas de manejo integrados, envolvendo práticas como rotação de culturas,
diversificação de espécies e utilização de plantas adaptadas às condições
edafoclimáticas locais, favorecem a melhoria da estrutura física do solo,
aumentam a infiltração e retenção de água e promovem maior estabilidade dos
sistemas produtivos frente às variações climáticas. Essas estratégias
contribuem para o aumento da resiliência agrícola e para a sustentabilidade da
produção em regiões sujeitas à escassez hídrica (SILVA et al., 2021; EMBRAPA,
2022; LEPSCH, 2011).
A literatura também aponta que a ausência de manejo
adequado pode intensificar processos de desertificação em áreas mais
suscetíveis, comprometendo não apenas a produtividade agrícola, mas também a
estabilidade ambiental local. Macedo et al. (2021) observam que sistemas de uso
intensivo sem práticas conservacionistas podem levar ao aumento da compactação
do solo e à redução da sua capacidade produtiva ao longo do tempo por conta da
desertificação.
Dessa
forma, a análise das práticas de manejo e conservação demonstra que a
sustentabilidade dos solos do Cariri Paraibano está diretamente associada à
integração entre conhecimento técnico-científico e adoção de estratégias
conservacionistas compatíveis com as condições edafoclimáticas do semiárido. A
implementação dessas práticas contribui para a manutenção da fertilidade, da
estrutura e da capacidade produtiva dos solos, além de reduzir a ocorrência de
processos erosivos e outras formas de degradação ambiental. Nesse sentido, o
manejo sustentável do solo constitui um elemento fundamental para a conservação
dos recursos naturais e para a viabilidade dos sistemas agrícolas da região
(LEPSCH, 2011; EMBRAPA, 2022; FAO, 2015).
7. CONCLUSÃO
O presente estudo, desenvolvido por meio de revisão
bibliográfica, permitiu sistematizar o conhecimento científico disponível sobre
os solos do Cariri Paraibano, com ênfase em suas características, limitações e
implicações para o uso agrícola em condições de semiárido. A análise da
literatura evidenciou que os solos da região apresentam elevada variabilidade
espacial, resultante da interação entre fatores de formação como clima, relevo
e material de origem, que condicionam a distribuição das diferentes classes de
solos e influenciam diretamente sua aptidão agrícola.
Entre as principais classes identificadas
destacam-se os Neossolos, Cambissolos e Luvissolos, que apresentam
características físicas, químicas e morfológicas distintas. De modo geral,
observou-se o predomínio de solos pouco desenvolvidos, frequentemente associados
à baixa profundidade efetiva, reduzidos teores de matéria orgânica, limitações
de fertilidade natural e baixa capacidade de retenção de água. Essas
características, somadas às condições climáticas do semiárido, contribuem para
a elevada suscetibilidade à degradação, especialmente em áreas submetidas ao
uso inadequado do solo e à remoção da cobertura vegetal.
A revisão também demonstrou que práticas
inadequadas de manejo podem intensificar processos como erosão hídrica, perda
de matéria orgânica, compactação e redução progressiva da capacidade produtiva
dos solos. Em contrapartida, estratégias conservacionistas, como manutenção da
cobertura vegetal, plantio em nível, rotação de culturas, uso de espécies
adaptadas às condições locais e manejo adequado da matéria orgânica, apresentam
potencial para minimizar os impactos da degradação e promover a sustentabilidade
dos sistemas agrícolas.
Além disso, verificou-se que os estudos sobre os
solos do Cariri Paraibano encontram-se distribuídos em diferentes abordagens
temáticas, contemplando aspectos relacionados à pedologia, à relação
solo-paisagem, à degradação ambiental e ao manejo agrícola. Essa dispersão
reforça a importância da sistematização do conhecimento científico, permitindo
integrar informações relevantes sobre as potencialidades e limitações dos solos
da região e subsidiar práticas de manejo mais adequadas às condições do semiárido.
Dessa forma, conclui-se que o uso sustentável dos
solos do Cariri Paraibano depende diretamente da integração entre conhecimento
técnico-científico e adoção de práticas conservacionistas compatíveis com as
condições ambientais locais. A compreensão das características e limitações
desses solos constitui elemento fundamental para a conservação dos recursos
naturais, a manutenção da capacidade produtiva das áreas agrícolas e o
fortalecimento da agricultura familiar, contribuindo para o desenvolvimento sustentável
da região
semiárida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES, Francisco Gleyson da Silveira et
al. Variabilidade espacial dos atributos do solo e modelagem para estimar a
produção de forragem e a capacidade de suporte no Semiárido. Ciência Animal
Brasileira, Goiânia, v. 26, 2025.
ARAUJO FILHO, José Coelho de; FRAGA,
Vânia da Silva; SARAIVA, Sebastiana Maely et al. Mineralogia de luvissolos
formados sob gradiente pluviométrico no semiárido paraibano. Brazilian
Journal of Animal and Environmental Research, Curitiba, v. 3, n. 4, p.
4416-4433, 2020.
CAVALCANTE, Emanuel da Costa. Relação
solo-paisagem em três topossequências sob diferentes materiais de origem na
microrregião do Cariri Ocidental da Paraíba. 2023. Dissertação (Mestrado
em Ciência do Solo) – Universidade Federal da Paraíba, Areia, 2023.
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA
AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Solos do Nordeste: características, potencialidades
e limitações. Brasília, DF: Embrapa, 2014.
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA
AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Luvissolos e solos do semiárido brasileiro:
características e limitações de uso agrícola. Brasília, DF: Embrapa Solos,
2020.
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA
AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Qualidade do solo e sustentabilidade dos sistemas
agrícolas. Brasília, DF: Embrapa, 2022.
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA
AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 6. ed. Brasília, DF: Embrapa, 2023.
FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS (FAO). Status
of the World's Soil Resources (SWSR): Main Report. Rome: FAO, 2015.
GONÇALVES, Jonas Rodrigo. Como escrever
um artigo de revisão de literatura. Revista JRG de Estudos Acadêmicos,
Brasília, v. 2, n. 5, p. 29-55, 2019.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E
ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Agropecuário 2017: resultados definitivos.
Rio de Janeiro: IBGE, 2017.
LEPSCH, Igo F. Formação e
conservação dos solos. 2. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2011.
MACEDO, Rodrigo Santana; MORO, Letícia;
ALVES CARNEIRO, Kalline de Almeida et al. Efeitos da degradação sobre atributos
do solo sob Caatinga no semiárido brasileiro. Revista Árvore, v. 47,
2023.
RESENDE, Mauro; CURI, Nilton; REZENDE,
Sebastião Barreiros; CORRÊA, Geraldo Fernandes. Pedologia: base para
distinção de ambientes. 6. ed. Lavras: UFLA, 2014.
SARAIVA, Sebastiana Maely; FRAGA,
Vânia da Silva; ARAUJO FILHO, José Coelho de et al. Mineralogia de luvissolos
formados sob gradiente pluviométrico no semiárido paraibano. Brazilian Journal of Animal and Environmental
Research, Curitiba, v. 3, n. 4, p. 4416-4433, 2020.
SARAIVA, Sebastiana Maely; FRAGA, Vânia
da Silva; ARAUJO FILHO, José Coelho. Characterization of Neossolos Regolíticos (Psamments) through a
pluviometric gradient in Brazilian semiarid. In: CATAPAN, E. A. (org.). Tecnologias
aplicadas nas ciências agrárias. São José dos Pinhais: Brazilian Journals
Editora, 2021. v. 1, cap. 7, p. 147-165.
SILVA, Jhon Lennon Bezerra da et al.
Monitoramento espaço-temporal do risco de degradação ambiental e desertificação
por sensoriamento remoto em região semiárida. Revista Brasileira de
Geografia Física, Recife, v. 13, n. 2, p. 544-563, 2020.
SILVA, P. L. F. da; OLIVEIRA, F. P. de;
PEREIRA, W. E.; MARTINS, A. F.; ZONTA, J. H.; AMARAL, A. J. do; SILVA, A. J.
da. Qualidade física de solo arenoso em ambiente semiárido sob sistema de
integração lavoura-pecuária. Revista Brasileira de Engenharia de
Biossistemas, v. 15, n. 4, p. 598-616, 2021.
SOUSA, V. D. et al. Soil hydrodynamics in a degraded area in the
Cariri region of Paraíba. Research, Society and Development, v.
11, n. 4, 2022.
SOUZA, Marcela Tavares de; SILVA, Michelly Dias da; CARVALHO,
Rachel de. Revisão integrativa: o que é e como fazer. Revista da Escola de
Enfermagem da USP, São Paulo, v. 44, n. 4, p. 1020-1026, 2010.
Nenhum comentário:
Postar um comentário