CRIANÇAS X PETS
Até que enfim achei alguém que tem o
mesmo pensamento sobre o assunto, igual ao meu. Vivo pelo meio do mundo,
proclamando a desvalorização do ser humano em detrimento aos animais de
estimação.
Movimento
de proteção aos animais sensibilizam muitos segmentos da sociedade, no entanto,
incontáveis pessoas permanecem indiferentes a milhões de crianças, anciãos e
enfermos que morrem de fome cada ano, não por falta de alimento que o planeta
fornece, mas por ausência total de compaixão e de solidariedade.
Extraído do livro Transição Planetária de
Manoel Fhilomeno de Miranda (espírito) e psicografado por Divaldo Franco.
Vamos
ver outras opiniões sobre esse triste tema.
Visão
geral criada por IA
A
tendência de preferir animais de estimação em vez de crianças é um fenômeno
global, com jovens adultos optando por pets devido à busca por liberdade,
estabilidade financeira e a sensação de companhia sem as grandes
responsabilidades da parentalidade humana, transformando-os em "filhos de
estimação", enquanto estudos sugerem que, para alguns, os pets podem ser
um "passo prévio" para a paternidade, avaliando a capacidade de
cuidar.
Por
Que Essa Tendência Acontece?
Sociais e Econômicas: Menor pressão social
para casar e ter filhos, preocupações econômicas e busca por flexibilidade na
carreira.
Benefícios
Emocionais: Pets proporcionam companhia, amor incondicional e reduzem estresse,
liberando ocitocina e melhorando o bem-estar, sem as demandas de um filho
humano.
Humanização
dos Pets: Animais são cada vez mais vistos como membros da família, recebendo
cuidados e mimos semelhantes aos de crianças, com produtos e serviços
pet-friendly crescendo no mercado. "Filhos de Estimação" ou
"Filhos de Prática"?
Maternidade
Não Convencional: Mulheres e casais veem os pets como uma forma de exercer o
instinto de cuidar, como a veterinária Raiane Mantovani.
Teste
para a Paternidade: Um estudo sugere que cuidar de um cão pode ser um
"efeito filho de prática", onde a experiência positiva aumenta a
confiança para ter filhos humanos.
Diferente: Pets oferecem um amor constante e
uma presença que, para alguns, é mais duradoura que a de filhos que crescem e
saem de casa, diz UOL Notícias.
Implicações Sociais
Famílias
Multiespécies: Casais com dupla renda (DINKWAD - Double Income, No Kids, With a
Dog) adotam cães como foco central da família, sendo uma realidade crescente em
cidades como Tóquio, Milão e Los Angeles, e também no Brasil e Argentina,
observa Globo.
Aumento
da População Pet: O Brasil tem uma das maiores populações de pets do mundo,
superando a população de crianças pequenas, e com uma demanda por produtos e
serviços cada vez maior, segundo o UOL Notícias.
Em
Resumo: A escolha por pets em vez de filhos reflete uma mudança cultural, onde
animais preenchem o papel de companheiros e "filhos", oferecendo
afeto e satisfazendo a necessidade de cuidar, embora alguns estudos sugiram que
essa experiência possa, paradoxalmente, preparar para a paternidade humana,
segundo a Terra.
Os
animais de estimação estão substituindo os filhos? Um estudo sugere justamente
o contrário
Não é
renúncia, é espera: o animal de estimação é sintoma de uma estabilidade
econômica que não chega
Recentemente,
a onda de cachorros transportados em carrinhos de bebê tomou conta de espaços
públicos, como shoppings e parques. Essa imagem se tornou símbolo de algo mais
profundo: a sensação de que, em sociedades envelhecidas, os animais de
estimação estão ocupando um lugar que antes pertencia aos filhos.
Mas e
se essa leitura estiver incompleta — ou diretamente errada? E se, longe de
substituir os filhos, os pets estiverem desempenhando outro papel na vida
familiar? Um novo estudo acadêmico põe em dúvida uma crença amplamente
difundida.
Para
começar, os números ajudam a entender por que essa suspeita se instalou no
debate público. Na Espanha, segundo a Rede Espanhola de Identificação de
Animais de Companhia (REIAC), em 2023, havia mais de dez milhões de cães registrados,
contra menos de dois milhões de crianças de 0 a 4 anos. Uma diferença tão
grande que convida, quase automaticamente, a pensar em uma substituição dentro
dos lares.
Cenas
que chegam de fora reforçam essa impressão. A Coreia do Sul cruzou um limiar
simbólico: já se vendem mais carrinhos para cães do que para bebês. Não é
exagero, é o reflexo estatístico de um país em emergência demográfica. A
tendência pegou tanto que até a fé se adaptou. Em templos japoneses como o de
Ichigaya Kamegaoka, o ritual milenar do Shichi-Go-San — antes exclusivo para
crianças — passou a se encher de focinhos e coleiras. Na falta de crianças, os
santuários abençoam animais de estimação para evitar que suas liturgias fiquem
sem protagonistas.
O
Japão está ficando sem crianças, então os cachorros estão assumindo seu lugar
nos rituais
Sobre
esse pano de fundo, proliferaram interpretações políticas e morais. Em 2022, o Papa
Francisco classificou como “egoístas” aqueles que preferem ter animais em vez
de filhos. Na Coreia do Sul, o então ministro do Trabalho, Kim Moon-soo, chegou
a afirmar que os jovens “amam seus cães” em vez de formar famílias. Um
diagnóstico forte, mas que se baseava mais em símbolos e percepções culturais
do que em dados verificados.
A
ideia de que os animais de estimação substituem os filhos acaba de ser
desmentida pela pesquisa acadêmica. O estudo Cats, Dogs, and Babies, liderado
pelos pesquisadores Kuan-Ming Chen e Ming-Jen Lin, da Universidade Nacional de
Taiwan, analisou por mais de uma década o comportamento de milhões de lares.
A
pesquisa chegou à conclusão de que pessoas que adotam um cachorro têm até 33%
mais probabilidade de ter um filho do que aquelas que não o fazem. Longe de
deslocar a paternidade, o animal parece atuar como um passo prévio. É o que os
autores chamam de “efeito filho de prática”. Segundo Chen e Lin, muitos casais
usam a experiência de cuidar de um cachorro para avaliar sua disposição de
assumir responsabilidades — rotinas, gastos e vínculos afetivos. Se a
experiência é positiva, aumenta a confiança para dar o próximo passo rumo à
paternidade humana.
Entanto, não há uma mudança à vista. Nem o
estudo taiwanês nem os especialistas que analisam o inverno demográfico
sustentam que o aumento de animais de estimação vá se traduzir, por si só, em
uma recuperação da natalidade. O próprio trabalho acadêmico alerta que se trata
de uma análise centrada em um país específico e que os padrões podem variar
conforme o contexto cultural, econômico e social.
O
estudo não propõe os animais de estimação como resposta ao declínio
demográfico, mas como uma pista sobre como hoje se adiam as decisões de cuidado
em um contexto de incerteza econômica e existencial. A queda da natalidade
responde a fatores estruturais amplamente documentados: precariedade no
trabalho, encarecimento da moradia, dificuldades de conciliação, atraso na
saída da casa dos pais e uma maternidade cada vez mais tardia. Nesse cenário,
os pets não substituem os filhos; ocupam o espaço deixado por um projeto de
vida adiado.
Japão
encontrou o número ideal de filhos por mulher para evitar a extinção
demográfica: dois terços do planeta estão muito longe disso
Por
isso, a imagem do cachorro no carrinho resume bem essa ambiguidade. Como
explica o Dr. Jerry Klein, veterinário-chefe do American Kennel Club, esses
carrinhos podem ter uma função prática em certos casos: “Oferecem a cães
idosos, com artrite ou problemas de mobilidade, uma forma de aproveitar o ar
livre sem se esforçar”. Plataformas veterinárias como Dialvet e ToeGrips concordam
que eles podem ajudar a proteger as patas do asfalto quente ou auxiliar cães
pequenos que não conseguem acompanhar longas caminhadas.
No
entanto, outros especialistas pedem cautela. Carlos Carrasco, da DOS
Adiestramiento, alerta que “um cachorro não é uma criança com pelos” e que
levar um animal saudável em um carrinho pode ser uma “humilhação” que o
desnatura. Na mesma linha, a etóloga Isabel Jiménez, diretora da La Manada de
Iris, afirma na IM Veterinária que a humanização excessiva “anula o cachorro
como espécie e o adoece emocionalmente”. Um estudo publicado na revista Animals
(MDPI) reforça essa ideia, alertando que o antropomorfismo pode gerar ansiedade
e estresse no animal ao não respeitar suas necessidades biológicas básicas,
como farejar e caminhar.
Por
fim, o auge dos animais de estimação não explica por si só o inverno
demográfico, mas revela como as formas de afeto e responsabilidade estão sendo
reconfiguradas em sociedades onde ter filhos se tornou mais complexo. O estudo
taiwanês não oferece soluções milagrosas, mas traz um alerta claro: colocar
pets e filhos como se fossem opções excludentes simplifica demais uma realidade
muito mais matizada.

